Opinião
DOM JOSÉ MARIA PIRES
O Senhor da vida chamou à pátria celestial esta semana Dom José Maria Pires, arcebispo emérito da Paraíba. Era o mais antigo, ?sênior? diz o calendário oficial da Igreja do Brasil, de idade, de ordenação presbiteral e de ordenação episcopal entre os bispos do Brasil. Era mineiro de nascimento e fora bispo em Minas, antes de ser arcebispo da Paraíba, onde exerceu o ministério episcopal por várias décadas. Era alinhado com os bispos considerados ?avançados? do episcopado brasileiro. Era também o último bispo brasileiro, que participara do Concílio Vaticano II. Grande amigo de Dom Hélder Câmara, com ele, durante o Concílio, fizera o chamado ?pacto das catacumbas?, que consistia num solene compromisso de um grupo de bispos brasileiros de renunciarem ao uso cotidiano de qualquer tipo de joia, como cruz e anel episcopal, residir em palácio e outras formas da tradição episcopal, oriundas do conceito dos Bispos como príncipes da Igreja. Assim, no traje diário deviam evitar tudo aquilo que desse a ideia de nobreza eclesiástica. Hoje, graças a Deus, todas essas manifestações de uma tradição já superada perderam o sentido e sua razão de ser. Felizmente, nossos bispos, seguindo o exemplo de um Dom Hélder e de Dom José Maria Pires, estão cada vez mais perto do povo de Deus, também no estilo de vida, no traje e em suas habitações. Que o exemplo dessas figuras exponenciais do nosso episcopado inspire cada vez mais a maneira de ser e de agir dos pastores do povo cristão do Brasil.