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Depois de quatro anos de investigação, a Comissão Estadual da Memória e Verdade Jayme Miranda concluiu os trabalhos e entregou o relatório ao Gabinete Civil. A investigação concluiu que seis alagoanos morreram vítimas de ações do regime militar. Outros três permanecem oficialmente como desaparecidos, pois até agora os corpos não foram localizados. O documento também relaciona casos de políticos afastados de suas funções por se oporem ao regime. Segundo membros da comissão, o relatório traz apenas um cenário parcial do que realmente ocorreu no período da ditadura, pois, apesar do empenho dos voluntários, faltou apoio para tocar as investigações necessárias. No Brasil, a Comissão da Verdade foi criada oficialmente em 2011, com o objetivo de ?apurar graves violações de direitos humanos ocorridas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988?. Instituída em maio de 2012, quase trinta anos depois do fim da ditadura militar, veio investigar os crimes de agentes do Estado contra cidadãos que lutaram contra a repressão. Resultado de uma longa luta de familiares e grupos de defesa dos direitos humanos, tinha um prazo de dois anos para os trabalhos, que foi estendido para dois anos e meio. Nas mais de 1.300 páginas do relatório, a comissão detalha, além dos métodos de tortura, execuções, ocultação de cadáveres, detenções ilegais e desaparecimentos forçados que, ?dada a escala e a sistematicidade com que foram cometidos, constituem crimes contra a humanidade, e não são passíveis de anistia?. Segundo o documento, as detenções arbitrárias, tortura, execuções, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres comuns no País hoje se devem ao fato de que ?as violações (?) verificadas no passado não foram adequadamente denunciadas, nem seus autores responsabilizados, criando-se as condições para sua perpetuação.? Com a conclusão dos trabalhos da comissão, o Brasil encerrou um capítulo que os vizinhos Argentina e Chile, que também atravessaram regimes militares na segunda metade do século XX, completaram anos antes. Embora não tenha caráter deliberativo, o maior êxito da Comissão Nacional da Verdade, e das comissões estaduais, foi colocar o tema da ditadura e das violações de direitos humanos em pauta na sociedade.

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