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Opinião

IMORTALIDADE EM QUARENTA CADEIRAS

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Freud marcou sua trajetória humana através dos estudos científicos legados à humanidade, possuindo diversos seguidores, dentre eles o médico suíço Carl Jung, responsável pela inspirada afirmação: ?mestre não é aquele que só ensina, e sim aquele que de repente...aprende?. Guardo esta frase, não como um simples pensamento, mas um lema a considerar... seguindo-o na vida, procuro aumentar, sempre, meu cabedal de conhecimentos. Aos poucos assimilei serem as pessoas entes socializados, quando trazem o indivíduo dentro de si. Este (o indivíduo, de onde deriva o individualismo) é um ser vivente fora da sociedade, sendo necessário, ao homem, associar-se a seus semelhantes, através de interesses comuns. Só, então, eles se encontram e crescem... Desta necessidade de união, foi que, há milênios, surgiram as primeiras comunidades de seres racionais pensantes, podendo ler, escrever e buscando o saber pelo questionamento e o debate. Quatro séculos antes de Cristo, a única verdade era ditada por quem possuía o poder de mando. Filósofos, como Sócrates, desenvolvendo ideias próprias, eram perseguidos e assassinados, até quando, em 387 a.C., surgiu Platão. Utilizando um sitio, outrora pertencente ao herói grego Akademus, ali fundou uma comunidade que, para as autoridades de então, nada mais representava senão um templo de adoração às Musas de Apolo, sendo, na verdade, um local onde cidadãos (somente duas mulheres) se reuniam para trocar conhecimentos e aprender. Este Jardim de Akademus, (origem da palavra Academia), localizado nos arredores de Atenas, possuía uma ampla vegetação, apesar de situado em ambiente árido, cheio de pedras e ruínas. Daí, a primitiva ideia, ainda viva até os dias atuais, de seus frequentadores se encontrarem em um ambiente característico da imortalidade. Os tempos passaram... a Academia Cultural de Atenas fez história, mesmo depois de Platão... Foi quando, em 529 D.C., o Imperador Justiniano, preocupado com os frutos do saber colhidos naquele sodalício, determinou não somente a devastação do local, como a perseguição a seus frequentadores. Anos após, em 1635 d.C, Richelieu fundou a Academia Francesa, com a missão de redigir um Dicionário da língua pátria, uma Gramática e um Tratado Poético. Dentre os membros daquela Casa figurava um Cardeal, ameaçando afastar-se do grupo pela falta de conforto em seu ambiente de trabalho. O Rei Luís XIII, sabedor da insatisfação, imediatamente ofereceu, tanto ao estudioso como a cada um de seus trinta e nove pares, uma confortável poltrona, além de jeton por reunião realizada e uma ampla sala, no Castelo do Louvre. Surgem, de então, as explicações para o porquê de cada Academia de Letras (termo derivado dos Jardins de Akademus), possuir quarenta membros, desde então considerados Imortais.

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