Opinião
BOÊMIOS, ARTISTAS E REVOLUCIONÁRIOS
As diversas regiões do mundo possuem localidades e cenários que atraem as presenças ruidosas dos boêmios, artistas e revolucionários; cultivam uma vida, de particular simplicidade, alegrias e ampla liberdade. Possuem, geralmente, um senso comum de despreocupação com bens materiais, revelam comportamento liberal e polêmico, estilo de roupas excêntricas. Segundo cada categoria, apreciam uma boa bebida, as longas conversas, a poesia, a música, as artes, as reformas políticas, as confissões e o clima das madrugadas. Essa vocação os tornam pessoas amáveis, detentoras de sonhos românticos e idealistas. Vivem intensamente e não se preocupam com uma longa trajetória de vida. Paris, capital de França, possui um bairro famoso chamado Montmartre, ao norte da cidade, que se tornou um símbolo da boemia e ambiente dos artistas revolucionários, atraídos pela sua doce história, paisagens, edificações, diversões e clima de muita inspiração. Suas ruas guardam o charme da ?belle époque? e a festiva emoção de seus frequentadores e visitantes. O bairro orgulha-se da lista de celebridades que ali passaram e engrandeceram sua história de sentimentos: Renoir, Picasso, van Gogh, Monet, Matisse, Piaf e tantos outros. Além de muitos valores modernos e anônimos, seduzidos pelo encanto e beleza da musicalidade e das cores do ambiente. Na praça de Abbesses, num reservado canto existe um muro com a frase ?Eu te amo? escrita em mais de 300 idiomas. Registros de romances inesquecíveis. Nas imediações, surge o Boulevard de Clichy, onde fica o famoso Moulin Rouge, referência dos espetáculos que embalam as noites parisienses. No século XIX, surge um movimento artístico e literário constituído à margem do movimento romântico, Balzac ao escrever Um Príncipe da Boémia, faz rasgados elogios a tal juvenil comportamento: ?A palavra Boémia diz tudo. Ela não tem nada e vive de tudo. Todos esses jovens são maiores do que o seu infortúnio, abaixo da sorte, mas acima do destino.? Baudelaire, autor das ?Flores do Mal? sentenciou: ?Para não sentir o horrível fardo do tempo que pesa sobre os ombros e inclina-nos para o chão, é preciso estar incessantemente embriagado. Mas de quê! De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser. Mas embriaguemo-nos.? O delírio e os devaneios fazem parte da vida destes personagens que perpetuam os gestos humanos e iluminam diversos espaços com o brilho imorredouro das artes e das esperanças.