Opinião
Desafio a vencer
Nos últimos anos, o 7 de setembro, data em que se celebra a Independência do Brasil, vem sendo marcado por duas manifestações distintas. De um lado estão os desfiles oficiais, em que civis e militares destacam a soberania do País, sua história e suas conquistas. De outro, há pouco mais de duas décadas, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) começou a promover nesse dia o Grito dos Excluídos, uma forma de mobilizar a população para denunciar a injustiça social, grande mal que ainda assola o Brasil. Este ano, o Grito teve como tema ?Por Direitos e Democracia, a luta é todo dia?. A CNBB quis chamar a atenção da sociedade para a urgência da organização e luta popular diante da conjuntura nacional na atualidade. A mobilização acontece num momento em que o País vive uma forte crise ética, assombrado por escândalos de corrupção envolvendo preeminentes figuras do meio político e empresarial. Além disso, os direitos e os avanços democráticos conquistados nas últimas décadas, frutos de mobilizações e lutas, estão ameaçados. Sob o argumento de que precisa ajustar as contas públicas, o governo federal vem realizando um duro ajuste fiscal e propondo reformas trabalhista e da Previdência, que atingem principalmente a classe trabalhadora. A exclusão social sempre foi uma marca na história do Brasil. No ano de nossa independência, a maioria da população era analfabeta. Ao longo dos anos, o Brasil registrou grande crescimento econômico, mas esse desenvolvimento excluiu parcela significativa da população. Na primeira década do século 21, houve a retomada do papel ativo do Estado, com uma política econômica voltada para a distribuição de renda. Como resultado, ocorreu uma diminuição da desigualdade de rendimentos do trabalho, redução drástica da pobreza e desemprego e melhorias nos indicadores sociais. No entanto, desde 2014 essas conquistas começaram a se perder por causa da desaceleração da economia. Além disso, em um País de dimensões continentais e uma história de mais de 500 anos de exclusão, os desafios são muitos e, em termos regionais, a evolução foi menor. A perpetuação das desigualdades sociais no Brasil ainda é gritante e fruto de uma sociedade injusta. Superar essa realidade permanece como o grande desafio a ser perseguido.