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A BELEZA DAS ESCULTURAS (II)

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Ao viajarmos à Europa em 1985, fomos inicialmente à França conhecer o Vale do Loire e seus castelos mais interessantes sob o ponto de vista arquitetônico, histórico e estrutural. Já tivéramos outras vezes em Paris visitando seus museus e obras de maior interesse. No Louvre, além do celebre quadro Madona, encontram-se obras de real valor, como a Vênus de Milo, as diversas partes dedicadas aos seus melhores pintores, como Rubens, que com suas telas retratou desde a chegada de Catarina de Médici à sua terra adotiva até seu casamento com o rei Henrique II. Interessante observar que naquele Vale foi construído o castelo de Chennonceau, a mando de Henrique II para morada de sua amante preferida, Diana de Poitier. Catarina, ao substituir o rei após seu falecimento, expulsou Diana e mudou-se de sua residência no castelo de Chaumont para Chennonceau. Na França, conhecemos uma das obras mais notável do escultor Auguste Rodin, O Pensador, e dele são muitas outras, sendo as mais apreciadas e conhecidas O Beijo, Os Burgueses de Calais, Balzac e Porta do Inferno, talvez se contrapondo a Michelangelo quando alcunhou os relevos da porta de Santa Maria del Fiore de Porta do Paraiso. Em plena época da escultura contemporânea, vimos a partir de Copenhague muitas esculturas sendo a que mais desejávamos conhecer a Pequena Sereia, ícone da cidade, criada por Edvard Eriksen, que nos serviu de inspiração à Sereia do Pratagy (Paixão Incalculável, pag. 92). Interessante é que o encontro citado naquele livro, com o Governador Luiz Cavalcante, se deu no ano de 1963, quando a dinamarquesa fazia 50 anos de inaugurada. Em Oslo, o que mais nos impressionou foi o Parque Vigeland e sua monumentais peças, como o Built, monolítico com 17 metros de altura e com 121 figuras nele esculpidas e entrelaçadas, que formam um emaranhado de corpos representando também as diversas fases da vida. Ainda daquele famoso norueguês destacamos o Motherhood (mãe com dois filhos às costas) e na saída do parque outra bela escultura de Gustav Vigeland, Sinnataggen (Menino Bravo). Na Suécia, o artista em evidência era Carl Milles e sua mulher Olga, com suas esbeltas esculturas em metal, destacando-se Statua Posejdoon (Estátua de Poseidon), a belíssima Gudshand (A mão de Deus), Solsångaren (O Cantor do Sol) e mais outras dezenas de obras. Muitos outros escultores se notabilizaram nessa época e podemos mesmo citar Ron Mueck e suas esculturas hiper-realistas, os brasileiros e alagoanos da arte popular Kalys, Fernando Rodrigues da Silva (Ilha do Ferro, Pão de Açúcar), Manoel da Marinheira (Boca da Mata) e tantos outros artistas anônimos. Para concluir, voltamos à Dinamarca, onde o genial escultor Jens Galschiot conseguiu retratar, de forma muito crítica, o Judiciário de seu país. É a escultura composta por duas figuras humanas: um negro raquítico das pernas finas como cambitos, em pé, carregando em suas costas uma Justiça obesa, ociosa e parasitária, sustentada pelo povo miserável e alquebrado com o sofrimento. Será que essa mesma escultura representa outros Judiciários mundo afora e o nosso escapa da crítica?

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