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Opinião

Quadro desigual

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Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que o Brasil é um dos países que menos gastam com alunos do ensino básico, mas as despesas com estudantes universitários se igualam às de países europeus. O País despende anualmente US$ 3.800 por aluno do primeiro ciclo do ensino fundamental, valor que representa menos da metade da quantia média desembolsada por ano com cada estudante nessa fase escolar pelos países da OCDE. Ainda segundo a entidade, nos anos finais do ensino fundamental e no médio a situação se mantém, mas o quadro muda totalmente quando se trata do ensino superior. O valor passa para quase US$ 11,7 mil por aluno ao ano, mais do que o triplo das despesas no ensino fundamental e médio. Com esse montante, o Brasil se aproxima de alguns países europeus, como Portugal, Estônia e Espanha. É bom que haja investimento no ensino superior, mas é preciso não descuidar dos anos iniciais da educação, que formam a base, e nesse quesito o Brasil ainda está longe do ideal. Por falta de investimentos mais substanciais, o desempenho do País no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) ? que mede conhecimentos de estudantes na faixa de 15 anos nas áreas de ciências, matemáticas e compreensão escrita ? está nos últimos lugares do ranking. Não se pode deixar de ressaltar que, nos últimos anos, houve vários avanços. Um exemplo é a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, o Fundeb, em 2006, que estendeu o investimento, antes restrito ao Ensino Fundamental, para toda a Educação Básica. Outro ponto positivo foi a aprovação do Plano Nacional da Educação, que estabelece, em sua meta 20, um investimento gradual na Educação até que se atinja, no último ano de vigência da lei (2022), o índice de 10% do PIB para a área. Os desafios, entretanto, ainda são grandes. Um deles é que o índice de investimento anual na Educação Básica obrigatória permanece abaixo dos 5% do PIB. Conseguimos universalizar a educação básica, mas mas com muitas deficiências. É preciso oferecer ensino de qualidade em todos os níveis, pois a educação está associada diretamente ao desenvolvimento econômico e social de um país.

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