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Opinião

PAI FUNDADOR

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Dono de uma das maiores empresas do País, que só cresceu e se tornou uma gigante do setor por causa de favorecimentos ilícitos conseguidos junto ao setor público. Financiou campanhas, com caixa um e dois, mas sempre em busca de uma contrapartida. Elegeu deputados e senadores. Financiou campanhas presidenciais. Foi gravado admitindo que durante toda a sua vida atuou de forma criminosa. Após a deflagração da Lava Jato, na intenção única de se safar da cadeia, decidiu se tornar delator, entregado meio mundo de colegas e comparsas. Por fim, conseguiu um acordo com o Ministério Público que lhe gratificou com imunidade total, de forma que não ficaria nem um dia sequer atrás das grades. De quem estamos falando? Se você respondeu Joesley Batista não está errado, mas faz parte dos 200 milhões de brasileiros que não atentaram a um detalhe, de que ele não foi o único nem o primeiro grande corrupto a conseguir o perdão total. Antes da JBS, bem antes, a Odebrecht já corrompia políticos a granel e faturava gordos e superfaturados contratos com governos que se estendem até bem antes da era tucana. Não foi Marcelo Odebrecht que criou o mostro corrupto que espraiou seus tentáculos por diversas regiões do mundo. Marcelo foi apenas um ?bom filho?, a seguir as lições e orientações do pai. Emílio Odebrecht é o verdadeiro e maior culpado pelas décadas de imoralidades ladroeiras da empreiteira que se tornou símbolo do velho Brasil. Emílio não só conseguiu o mesmo perdão de Joesley, o que lhe permite dar depoimentos onde conta seus atos criminosos em meio a piadas e risadas, como o fez da forma mais repugnante possível, entregando o próprio filho como moeda de troca. Até sujeitos da estirpe de Eduardo Cunha fizeram o inverso, negociaram sua prisão em troca da preservação de sua família. Mas por que será que ninguém se indignou com o perdão de Emílio como se repugnaram com o de Joesley, cuja prisão, agora, provoca queima de fogos e estouro de champanhes? Será o fato de um ter entregado o PT e o outro o PMDB? Suspeito que a resposta possa ser mais prosaica do que gostaríamos de crer. Joesley construiu para si uma imagem de playboy bilionário, enquanto Emílio faz pose de velhinho de praça. Como os marqueteiros políticos bem sabem, o brasileiro é chegado a julgar pelas aparências.

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