Opinião
MEUS AMIGOS MINHA VIDA
Há poucos dias, retornei ao Colégio Marista de Maceió, berço de quase toda minha formação secundária. Ali, aprendi muito a respeito da vida futura, mas recordo jamais haver valorizado a saudade, por imaginar possuir, então, a meu lado, tudo, quanto me bastava. As traves, fincadas nas extremidades do enorme campo de futebol, onde tanto joguei... O espiribol, o ginásio esportivo, a cantina do Cabeleira, as salas de aula, palco de minha convivência com inesquecíveis mestres e fantásticos colegas de estudo, muitos dos quais foram minhas companhias até as portas da Universidade. Para minha alegria, em um dos corredores deparei com a Placa de Formatura do Segundo Grau de nossa turma. De repente, notei pequenas lágrimas saltitarem de meus olhos, pois, ao ler cada um dos nomes gravados no bronze, recordei aquele tempo bom da nossa existência, quando, juntos nem de longe pensávamos no momento da separação. Aí senti saudades de todas as conversas jogadas fora, das novas descobertas, dos sonhos tidos, de tantos risos e momentos compartilhados. Naquele instante, o mundo pareceu haver andado para trás. Vi-me sentado em uma das bancas, atento às anotações do Quadro Verde onde os assuntos eram escritos pelos professores, para os copiarmos e lembrei de tantas aventuras vividas, dos novos colegas, chegados no início de cada ano letivo, aos quais não dava muita importância, principalmente porque, na infância, a noção de afeição ainda não estava tão desenvolvida, embora, meses depois, após muitos estudos e brincadeiras, nascesse uma verdadeira amizade, capaz de resistir ao tempo, superar desentendimentos e gerar alegrias, jamais esquecidas. Recordo de sermos unidos, fosse nos estudos ou nos esportes. Se, no início de tudo, poderíamos ser comparados a nuvens, ignorando porque se movem em determinada direção, embora, sem notar, sempre seguíamos o impulso do bem. Nossos docentes, eram como o céu. Eles sabiam os motivos de nossa caminhada, nos ensinando a erguer sempre a cabeça para conseguir ver além dos horizontes. E assim aconteceu... O tempo passou. Os afazeres do cotidiano afastaram aquela Turma Marista, cada um para seu lado, com sua atividade profissional. Cheguei, inclusive, a imaginar havê-los esquecido com o tempo, porque cresci em todos os sentidos, e, aos poucos, fui percebendo que, para ser feliz, precisamos, em primeiro lugar não carecer de nossos semelhantes, até o dia em que reencontramos, não quem estivéramos procurando, mas quem foi importante para nós. Foi assim que aconteceu. Graças à maravilha do Whatsapp, tempos atrás, mais uma vez, nos juntamos em um grupo, quando voltamos a ser crianças, apesar da cor de prata cintilante em nossas cabeças. Então, surgiu a oportunidade de mostramos as fotos, em preto e branco, que todos tanto apreciávamos olhar, a uma de minhas filhas, e ela perguntou: quem são? Respondi: são meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida.