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Milhares de pessoas participaram ontem, no Rio de Janeiro, de um ato contra a intolerância religiosa. Esta foi a décima edição da Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, realizada poucos dias depois da divulgação de vídeos em que aparecem criminosos, supostamente cristãos, ameaçando lideranças de religiões afro-brasileiras e obrigando-os a destruir seus terreiros, em comunidades carentes do Rio. O Estado brasileiro é laico, mas prevê proteção aos cultos e crenças. A Constituição diz que ?é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias?. Formalmente, o Brasil é visto como um País de paz religiosa. No cotidiano, entretanto, a convivência entre crenças não é tão pacífica assim. Religiões de ancestralidades africanas são os mais frequentes alvos, o que pode ser associado à questão do racismo. É comum, porém, casos de destruição de imagens e símbolos católicos. Entre 2011 e 2015, o País teve 697 denúncias de intolerância religiosa, segundo a Secretaria Especial de Direitos Humanos. A perseguição pode ocorrer de diversas formas e níveis. Desde crianças e adolescentes que são vítimas de bullying nas escolas, até casos que chegam a custar a vida de pessoas de um determinado grupo. É perfeitamente possível criticar o ponto de vista ou a crença de outros grupos religiosos, como liberdade de expressão. Porém, a crítica não pode se apresentar como agressão, ofensa ou como ridicularização de símbolos e doutrinas religiosas. Para combater a intolerância, é precisa tratar a questão eticamente, por meio de uma mudança de mentalidade. Trata-se de promover a diversidade cultural das diferentes crenças, gêneros e raças, por meio de palestras, debates e campanhas nas escolas, universidades e no próprio ambiente social, além, é claro, de punir os atos extremados. É um processo lento, mas necessário.

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