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Opinião

Realismo e impunidade

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O escritor colombiano Gabriel Garcia Marquez, ícone do realismo fantástico, eternizado pela obra Cem anos de solidão, lá onde estiver, no andar de cima, deve estar a se questionar se seus personagens, suas histórias e suas novelas superam a realidade vivida no nosso País nos dias atuais. O enredo e personagens de nossa história, de outro modo, não estão no campo da ficção, mas da realidade bruta das malas de dinheiro que saem das pizzarias, dos pacotes entregues na antessala de governadores ou ainda do tesouro escondido em apartamento de ex-ministro. Cenas representadas com personagens conhecidas, ?autoridades? ocupantes dos escalões da república. Como em toda novela, a surpresa e o inusitado devem ser parte da trama. Nesse quesito, temos também o encontro casual, mas despudorado, do chefe da Nação na garagem de um palácio, para ajustar iniciativas e encontros noturnos, às escondidas, como mostram gravações, a forma de continuar atentando contra o interesse público. Fitas, gravações, denúncias, acusações e traições entre os envolvidos são reveladas a cada instante e são partes do enredo a surpreender a cada um de nós ? nesse caso, os espectadores ? que já pensávamos sido atingido o mais baixo dos fundos de poços que temos conhecimento. Nos novelões não faltam os mocinhos, esses podem ser catalogados em quase uma centena, para os quais há um tipo de proteção especial, uma espécie de capa de Batman, uma superproteção tipo Homem de Ferro. Para esses, a regra é que estão acima do bem e do mal, com superpoderes que impedem a punição, nem mesmo a sala de justiça, comum aos filmes de super-heróis, consegue definir o que fazer, mesmo tendo poderes para tal, se portam como o mundo tivesse dois segmentos, aqueles que respondem por malefícios e os que podem tudo e nada lhes atinge. Nós, que vivemos o mundo real, não o mundo ideado por Garcia Marquez ou o dos super-heróis, somos obrigados a conviver e acompanhar o sofisma acerca de ritos e procedimentos para justificar a impunidade e proteção a próceres da república especializados em extorquir a nação, por meio de processos que rolam de um lado para o outro para caducar em muitas instâncias do judiciário.

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