Opinião
OS DESAFIOS DE ALAGOAS
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Há exatamente 204 anos, por meio de um decreto assinado pelo então rei de Portugal, D. João VI, o território alagoano era desmembrado da capitania de Pernambuco. Teria sido, segundo alguns historiadores, um reconhecimento do monarca ao fato de Alagoas não ter aderido à Insurreição Pernambucana contra a coroa. Independentemente desse fato, porém, a região de Alagoas já se apresentava como uma das economias mais dinâmicas e organizadas do Nordeste, com grande desenvolvimento social e cultural.
Apesar de sua pequena extensão, Alagoas sempre teve papel relevante na história política nacional. Foi daqui que saíram três presidentes da República, entre eles os dois marechais que consolidaram o regime republicano, e também Fernando Collor, primeiro presidente eleito pelo voto popular após o regime militar iniciado em 1964. Também não se pode deixar de mencionar os grandes intelectuais que o Estado tem dado ao País, como Graciliano Ramos, Jorge de Lima, Pontes de Miranda, Artur Ramos, Nise da Silveira, Aurélio Buarque de Holanda e Lêdo Ivo. Nas últimas décadas, entretanto, Alagoas vem apresentando indicadores sociais negativos em várias áreas: educação, saúde, saneamento, segurança pública. Somos o estado com maior número de analfabetos e estamos entre os mais violentos. Na década passada, por exemplo, o Estado permaneceu em último lugar no IDH interno – índice que mede o desenvolvimento humano – com média de 0,631 estando abaixo da média nacional. Possui também um deficit habitacional enorme. O crescimento de atividades informais e a falta de alternativas fazem com que mais famílias vivam marginalizadas. Do ponto de vista econômico, o Estado continua extremamente dependente da União e incapaz de caminhar com as próprias pernas. O alto endividamento, agravado no atual governo, compromete parte considerável da renda estadual, montante este que serviria para novos investimentos. Nesses 204 anos, Alagoas já viveu fases de pujança econômica mas também períodos de estagnação. O dia de hoje é de comemoração, mas também de reflexões sobre os rumos que os alagoanos querem para seu querido estado.