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Opinião

Condição degradante

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A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou uma pesquisa, desenvolvida com a Fundação Walk Free, em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que mostra que mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo foram vítimas da escravidão moderna em 2016. Destas, cerca de 25 milhões estavam em trabalho forçado e 15 milhões em casamentos forçados. A organização alerta que, se não houver maior esforço por parte dos governos em todo o mundo, o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável que visa à erradicação da escravidão até 2025 não será alcançado. Segundo estimativa da organização não governamental internacional Walk Free, o Brasil tinha cerca de 155 mil pessoas nessa situação. De acordo com o Ministério do Trabalho, nos últimos 20 anos quase 50 mil trabalhadores em situação análoga à escravidão foram resgatados. O perfil dessas pessoas mostra que a grande maioria atuava nos setores de extração de minérios, construção civil, agricultura e pecuária. Em capitais como São Paulo, muitos imigrantes de países como Bolívia, Peru, Paraguai e Haiti são aliciados para trabalhar em condições de escravidão em confecções, servindo a famosas grifes de moda e redes varejistas. Com forma de combater o trabalho escravo, o governo federal criou uma espécie de ?lista suja?, que relaciona as empresas e empregadores flagrados por fiscais submetendo seus empregados a condições análogas à escravidão. Uma questão judicial deixou a lista sem atualização por três anos e só recentemente o Ministério do Trabalho voltou a divulgá-la. Uma dificuldade para o combate a essa prática criminosa é a escassez de recursos, devido ao corte de verbas. Dados parciais da Comissão Pastoral da Terra (CPT), de julho, já indicavam queda no número de operações de combate ao trabalho escravo este ano. Foram fiscalizados 44 estabelecimentos nos primeiros seis meses deste ano, a média nos últimos dez anos era de 300. Apesar de o Brasil registrar recentes avanços no combate à escravidão de forma definitiva, ainda é grande o número de pessoas estimadas vivendo em condições degradantes de trabalho. Trata-se de uma situação incompatível com a dignidade humana e por isso deve ser combatida a todo custo.

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