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Opinião

Sem atalhos

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Durante palestra proferida semana passada, numa loja maçônica de Brasília, o general da ativa Antônio Hamilton Martins Mourão defendeu a possibilidade de intervenção militar, diante da crise política que toma conta do País e afirmou, ainda, que sua posição coincide com as dos companheiros do Alto Comando do Exército. A declaração provou reações imediatas, pois, no ordenamento jurídico brasileiro, não há nenhuma hipótese de intervenção autônoma das Forças Armadas, que estão integral e plenamente subordinadas ao poder civil. Apesar de ter sido um claro episódio de indisciplina militar e de ameaça às instituições, o governo deixou que os militares resolvessem o caso entre si e ficou por isso mesmo. Entre os civis, não faltaram, porém, manifestações de apoio ao general. Em tempos de grave crise política, temperada por uma sucessão de escândalos de corrupção que envolvem altos figurões da República e megaempresários, não falta quem clame por uma nova intervenção dos militares para ?salvar? o Brasil. Os grupos que defendem esse retrocesso ainda são minoritários, mas não devem ser desprezados, pois até mesmo entre jovens é possível encontrar defensores de uma radicalização institucional no País. Vale a pena, porém, refletir sobre o período em que o Brasil esteve sob um regime fardado. Em 1964, tal como agora, a sociedade brasileira estava profundamente polarizada. Na época, sob a Guerra Fria, predominava a crença de que o Brasil iria se juntar a Cuba no bloco comunista na América Latina. Influentes homens políticos. Com o apoio de empresários, latifundiários, setores do clero católico e da mídia, os militares assumiram o poder e só o devolveram 21 anos depois. Esse período foi marcado por censura à imprensa e às artes, cassações, exílios, prisões, assassinatos e desaparecimentos. O regime militar também adotou um modelo concentrador de renda, baseado em grande endividamento externo. Os militares entregaram o governo deixando como herança a maior dívida externa do mundo, alta inflação e concentração de renda. É fato que a redemocratização do Brasil não resolveu todos os problemas do País, mas não se justifica uma nova intervenção militar. O País deve ser mudado pela via democrática. É o único caminho aceitável, sem atalhos.

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