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Estudo divulgado ontem pelo Oxfam Brasil nos dá uma visão bem clara sobre a distribuição de renda no País. De acordo com o levantamento, os seis maiores bilionários têm a mesma riqueza e patrimônio que os 100 milhões de brasileiros mais pobres. O documento identifica falhas na forma como o imposto é arrecadado no Brasil, em contraste com outros países. Além da alta tributação indireta, há questionamentos à isenção de impostos sobre lucros e dividendos de empresas e à baixa tributação de patrimônio, que, com isso, acabam contribuindo para aumentar a concentração de renda dos mais ricos. Faz-se, portanto, urgente uma reforma tributária que redistribua a carga, cobrando mais de quem tem mais capacidade contributiva. Atualmente o peso recai quase todo sobre o assalariado. No Congresso tramitam projetos de lei para mudar nosso Código Tributário, mas não é uma tarefa fácil, pois há muitos interesses envolvidos. De acordo com a Oxfam, o mercado de trabalho foi o ?principal fator? da recente redução da desigualdade de renda no Brasil. Com a estabilização da economia e da inflação nos últimos 20 anos, foi possível ao País investir na queda do desemprego, na valorização real do salário mínimo e no aumento do mercado formal. Entretanto, permanecem diferenças que precisam ser enfrentadas. O Brasil ainda tem uma média baixa de anos de estudo. Apenas 34,6% dos jovens de 18 a 24 anos estão matriculados em universidades, dos quais apenas 18% concluem o curso. A juventude negra e pobre é a mais afetada por barreiras educacionais. Baixo número de anos de estudo, evasão escolar e dificuldade de acesso à universidade são problemas maiores para esses grupos, que estão na base da pirâmide de renda. O fato é que as desigualdades não são inevitáveis, pois são frutos de decisões políticas e de interesses de grupos. Neste momento, o Brasil vem construindo um modelo de sociedade baseado em uma divisão entre cidadãos de primeira e de segunda categoria. Uma sociedade igualitária é uma utopia, mas no caso brasileiro, a distância entre os extremos não pode ser aceita passivamente pela sociedade.

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