Opinião
Gesto nobre
O Brasil registrou, no primeiro semestre deste ano, recorde de doadores de órgãos, com 1.662 cadastrados, um aumento de 16% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar disso, segundo o Ministério da Saúde, a recusa das famílias em autorizar os transplantes ainda é alta (43%). Por isso, a quantidade de procedimentos ainda é pequena diante da demanda de pacientes que esperam pela cirurgia. Por causa disso, o órgão lançou a campanha ?Família, quem você ama pode salvar vidas? para sensibilizar os parentes de pessoas com morte cerebral a doarem os órgãos. Atualmente, 26.507 pessoas aguardam por um rim; 11.413, por córnea; 1.904, por fígado; 389, por coração; 203, por pulmão; e 64, por pâncreas. Em Alagoas, atualmente 259 pessoas estão na fila de espera para receber um rim, uma para receber coração e outras 147 aguardam por uma córnea. Para especialistas, o preconceito e a falta de informações são os maiores inimigos das pessoas que aguardam na fila para receber um transplante de órgãos. Segundo estimativas do Sistema Nacional de Transplantes, de todos os óbitos de morte cerebral que poderiam gerar múltiplos transplantes, 30% não se concretizam por razões relacionadas a impedimentos religiosos e culturais. Em 2001, a Lei 10.211 aboliu a doação presumida. Antes dela, a pessoa se declarava ou não doador. Agora a decisão cabe à família. Muitas vezes os familiares ficam receosos de permitir a coleta dos órgãos, por motivos que variam desde o medo de a pessoa poder voltar do estado de coma, até o receio de que o corpo ficará desfigurado para o velório. No Brasil, o Sistema Público de Saúde (SUS) financia mais de 95% dos transplantes realizados e também subsidia todos os medicamentos para todos os pacientes. É uma das maiores políticas públicas de transplantes de órgãos do mundo. É preciso reforçar as campanhas de incentivo à doação de órgãos, desfazendo preconceitos, mitos e tabus. Trata-se de um ato que, além de salvar pessoas, prolongando em muito a expectativa de vida, pode melhorar a qualidade de vida de quem precisa de um transplante, permitindo que esses pacientes possam retomar as atividades normais.