Opinião
A mídia tradicional como ela é
Há um exagero acima dos padrões nessa discussão de mercado quanto à eficácia das mídias off-line e on-line. Dos meios tradicionais, rádios, jornais, revistas, TVs, exterior e outros que o grande público costuma ver e receber os impactos das mensagens publicitárias; do digital que envolve variadas plataformas na internet e redes sociais, inquestionavelmente a grande revolução da comunicação nos tempos modernos. Alguns ansiosos defensores desse formato difundem que, a nova tecnologia está ofuscando a importância dos veículos de massa e que os consumidores fazem deles o seu painel de informações em todos os níveis. Da notícia à compra, entretenimento e dramatologia, este é um hábito que faz parte da cultura do brasileiro e não está em situação de risco como pregam alguns desavisados. Me lembra o advento da televisão, época em que se especulava a morte do rádio, esse rádio que em pleno século XXI continua pleno, presente com força na vida das comunidades. A confiança do público nos formatos tradicionais da propaganda não ruiu com o aperfeiçoamento do on-line, na América Latina principalmente, e se mantém em alta mais que todas as demais regiões do mundo. Basta ver resultado de estudo da Global Trust in Advertising da Nielsen, que se repete a cada dois anos. Seis em entre dez pessoas entrevistadas confiam na publicidade televisiva, o que corresponde a 63%. E mais 60% nas de jornais, 58% em revistas, um volume altamente significativo diante de tantas especulações nesse universo de ?chutômetros?. São percentuais de grande expressão que nocauteiam todas as falácias em torno do tema. Nas mídias de TV houve um aumento de confiança e nas demais houve uma ligeira queda, ou se mantêm estáveis. Segundo o Kantar Ibope Media, no primeiro semestre de 2017, a soma de televisão aberta, paga e merchandising, concentrou 73% de compra de espaço pago, enquanto nas diversas plataformas digitais não passou de 4,2%. Randall Beard, presidente da Nielsen Expanded Verticals, ratifica que a publicidade on-line vive tempos de questionamentos. ?Pelo menos um terço das campanhas nesta plataforma não funciona, não cria awareness?, afirma ele. Prefiro dizer que a mídia digital é um bom complemento de apoio no contexto geral de um planejamento de propaganda e marketing. Em Alagoas, por exemplo, uma mensagem publicitária em rede social pode atingir um recorde extraordinário, com, digamos, cinco mil visualizações, mas nada comparável ao impacto dessa mesma mensagem num show aberto onde se concentram vinte, trinta mil pessoas. Uma inserção de TV em horário nobre vai ao encontro de mais de 250 mil domicílios ligados com aproximadamente 1 milhão de telespectadores de diversas faixas etárias, sexo e poder aquisitivo de olhos colados na telinha. A pesquisa Debate Digital realizada em vários países constatou que os brasileiros apreciam a variedade de conteúdo on-line, porém ainda preferem assistir televisão nos seus aparelhos convencionais. ?Não se constrói uma marca apenas com mídia digital?, diz Michel Peroni, consultor de marketing de varejo. ?Mídia impressa não é apenas um pilar da democracia. Ela é a democracia, tem maior credibilidade e pauta todas as outras?, afirma Luiz Lara, Lew Lara/TBWA. ?Não dá para ter um país sem jornal e revista?, diz Nizan Guanaes, do Grupo ABC.