Opinião
A crença em si mesmo
Crer em si mesmo é, antes de tudo, conhecer seus limites. Ninguém é pleno em nenhum plano. O autoconhecimento é uma trajetória entre nascer e morrer. A cada dia, descobre-se um pouco mais de si mesmo. A maturidade da vida permite essa plenitude da representação do nosso papel e razão de nossa existência no plano terreno. O que fui? O que sou? E o que serei? Da Vinci foi um destes que acreditando plenamente em sua capacidade, propôs emprego no Ducado de Milão, considerando que Florença na época dava-lhe as costas, com uma imbatível carta que cotejava todos os seus dotes num rol de habilidades imensuráveis. Entre a paz e a guerra poderia entreter Luduvico, o Mouro, com sua arte e na guerra ser um engenheiro bélico dos mais engenhosos. ?Eu sei como, quando um lugar está sitiado, levar água para fora das trincheiras, e fazer uma variedade infinita de pontes, caminhos e escadas, e outras máquinas importantes para tais expedições.? Sem a crença em si mesmo ninguém consegue ser acreditado. Para Sócrates declarar: ?Eu só sei que nada sei?, ele tinha a certeza que todo o seu conhecimento não representava nada em relação ao que havia por conhecer. Nem por isso ele deixava de ser quem era e por esta certeza morreu. A expressão ?Conhece a ti mesmo...? estava escrita no pátio do Templo de Apolo e inspirou filósofos como o próprio Sócrates e fê-lo um divisor de águas com o pensamento antigo. Quem conhece a si mesmo se arrefece das lisonjas e não adula os falaciosos de verbo macio. Ao contrário, emancipa-se dos oportunistas. O ?universo e os deuses? são de somenos importância em relação à verdade que coabita da natureza humana. Como não conheço a mim mesmo, como irei conhecer a outrem? Como irei conhecer o ?universo e os deuses?? O melhor marketing de si mesmo é a verdade. E ninguém melhor para vender a sua imagem do que você mesmo. O que eu desejo que os outros pensem de mim corresponde ao que eu verdadeiramente sou? O que eu sou representa o que eu sei? O que eu sou representa o que eu faço? Vivendo num mundo de representações onde cada um de nós possui um papel no contexto social. Você é um personagem real que vive uma representação? Ou você é uma representação do seu personagem real? E, finalmente, até que ponto acreditamos naquilo que estamos dizendo? Simples! Terminamos por construir um factótum de nós mesmos para nos servir. E o mundo está cheio de factótuns. Pode crer.