Opinião
A força da palavra
A grandiosa inspiração da alma francesa de Victor Hugo sentenciou que as palavras têm a leveza dos ventos e a força das tempestades. Conjugou, de forma poética, a imagem de duas manifestações da natureza, a suave mensagem de um sopro de vida e a surpreendente violência dos acontecimentos. As palavras traduzem nosso ânimo e participação diante dos desafios e caprichos da realidade. O seu poder e magia marcam os caminhos redentores escolhidos ou os desencontros que levam aos insucessos, em decorrência das desanimadoras influências. As palavras incentivam nosso espírito, favorecem a realização dos projetos, representam o grito de guerra frente às inegáveis disputas que surgem nos caminhos, fenômenos naturais de todas as caminhadas. Definem o entusiasmo pelas causas que caracterizam nossos ideais e afastam os sombrios pessimismos, em busca das almejadas vitórias. Os homens transmitem suas ideias e sentimentos através das palavras, as quais nos ajudam a viver virtuosamente e servem de comunicação com o mundo que nos rodeia, sendo o instrumento dos diálogos fecundos que unem as pessoas e celebram a vida. Os antigos diziam: palavra dada não se volta atrás. Um verdadeiro compromisso de dignidade pessoal. O conceito merecido depende do rigor dessa observância. Os tumultos da realidade social de nossos dias nem sempre respeitam a expressão desse valor. Os amantes vivem da verbalização de seus afetos. As palavras traduzem impulsos e preferências, marcam os destinos dos desejos. As juras de amor alimentam os enamorados, fomentam os carinhos que aquecem as amizades. As fantasias ilustram os episódios indomáveis das afeições. O silêncio revela o luto da palavra. Protesto mudo e pausa misteriosa das tentações. Somente a palavra entusiasma, palpita e gera vibrações. As lágrimas são as palavras da alma. As dores das esperas trabalhadas. Os soluços molhados das esperanças premiadas. As palavras contrariam o axioma latino de que voam e somente as escritas permanecem. Elas também solenizam compromissos, absolvem pecados e prometem esperanças para um mundo melhor. A sabedoria recolhida busca testemunhar todos os momentos decisivos. Possui reconhecimento histórico o ensinamento do professor americano Edward Thornlike, da Universidade de Columbia, considerado fundador da psicologia educacional. As cores murcham, os palácios caem, os impérios desintegram-se. Só as palavras sábias permanecem.