Opinião
EMBALANDO MATEUS
RONALD MENDONÇA * Ignoro se havia condições de o governador Ronaldo Lessa fechar as portas do Estado e impedir a polêmica vinda de hóspede tão mal-afamado como esse Fernandinho Beira-Mar. O assunto é prato cheio em todas as rodas. Se de um lado os nossos três senadores, unidos, já firmaram opinião contrária, numa outra ponta, alguns outros políticos, se não assaz entusiasmados com a nefasta presença, ao menos mantiveram um certo grau de otimismo achando que a coisa pode não ser tão arriscada assim. Além disso, como se insinuou, o sinal verde para Beira-Mar faria parte de um acordo, espécie de toma-lá-dá-cá, que redundaria em algum retorno futuro favorável para Alagoas, o que justificaria a suposta permissão. A realidade é que a inesperada notícia da chegada do ultraperigoso elementocaiu como um míssil americano em hospital de Bagdá. Nós próprios duvidamos do fato, chegando a pensar que se tratava de alguma brincadeira para descontrair a equipe médica da tensão provocada por horas de empenho numa delicada cirurgia. Confirmada a veracidade da informação, foi reconfortante ouvir a adorável e tranquilizadora entrevista do inteligente ministro da Justiça, doutor Thomaz Bastos, sobretudo nos instantes em que se dirigiu especialmente aos alagoanos. S. Exa. foi deliciosamente curto e grosso: nada a temer, o estágio de Nando entre nós não vai durar mais do que 30 ou 40 dias, tempo inábil para os amigos chefões do tráfico organizarem-se e cometer algum desatino. É pura fantasia também alguém pensar que ?lamentáveis acidentes de percurso?, como a morte do juiz corregedor de Presidente Prudente, no interior de São Paulo, justamente no período em que o paparicado presidiário por lá passava uns dias, aqui poderão repetir-se. Palavra de ministro. Foi aí que os descontentes tiveram a oportunidade de inflar o tórax de incontido orgulho pela terra-mãe. Nada de Sergipe ou Pernambuco, Alagoas, nossa pequenina e brava Alagoas é que tem hoje o melhor presídio da Polícia Federal, só perdendo para São Paulo. E não é mesmo que ali em Jaraguá, bem em frente a uma faculdade, num local, portanto, insuspeitíssimo, há um lindo presídio de segurança máxima, capaz ? imaginem a honra! de receber não só o ?Beira?, mas dezenasde similares, sem que escorra uma gota de perigo para a população da cidade ? Passados, no entanto, os justos suspiros ufanistas, algumas perguntas impertinentes teimam em recorrer. 1) Se o egrégio prisioneiro estava tão seguro no interior de São Paulo, por que tirá-lo de lá? 2) Se o nosso presídio de Jaraguá (jóia que levantou tanto a nossa auto-estima) só perde mesmo para o de São Paulo, por que a famosa personalidade não foi transferida para lá, poupando tempo, dinheiro e segredinhos? Afinal de contas, Fernandinho Beira-Mar, até prova em contrário, é produto made in eixo Rio-São Paulo. Quem bem pariu Mateus, que balance ! (*) é médico e professor da Ufal