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Opinião

Plano C

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MARCOS DAVI MELO * A Guerra do Iraque está comprovando que a primeira vítima da guerra é a verdade. A proibição imposta à divulgação de episódios desfavoráveis aos americanos e ingleses é um agravante a mais, além da carnificina entre os combatentes e o massacre de civis. Como era previsível, este conflito vai alcançando o patamar de atrocidades temido pelos mais realistas. Se desde o início o Conselho de Segurança da ONU foi desprezado, e o controle dos poços de petróleo e outros interesses econômicos surgiam como a razão maior da conflagração, a auto-censura da imprensa é a mais drástica involução nas franquias democráticas no mundo ocidental nos últimos tempos. Certo que esta coerção não se gerou bruscamente. Vêm desde o 11 de setembro e de seus desdobramentos, como as cartas com antraz, sumidas estranhamente do noticiário e nunca devidamente esclarecidas. Evidentemente, a imprensa iraquiana também está divulgando versões distorcidas do conflito. Aí, nada a estranhar, é uma ditadura sanguinária que não serve de modelo para ninguém. O pior é o avanço do governo americano rumo a solapar a democracia em seu próprio solo. A pretexto de salvaguardar o cidadão comum de constrangimentos maiores diante da morte e do aprisionamento de seus soldados, restringe-se na mídia a divulgação destes episódios e se criticam as infrações à Convenção de Genebra. Propalam poupar os corações e mentes do sofrimento. Justo discurso que não encontra eco nos fatos. O tratamento inicial dado pela coalizão aos prisioneiros iraquianos e principalmente aos afegãos que anteriormente foram levados para Cuba foi dos mais atrozes, até as informações serem suprimidas na mídia. É compreensível o rancor depositado pelos americanos aos orientais, supostos responsáveis pelo 11 de setembro. Como também o é o ódio que os iraquianos sentem pelo aparato bélico que invade o seu território levando caos e destruição a todo o País. E isto só vai piorar. O plano A (mudança de lado de figuras-chave do aparato militar e de segurança do Iraque) já fracassou. O Plano B, que consistia em terminar a guerra com o pesado bombardeio de ? choque e pavor?, também. Resta o Plano C, que Bush gostaria de evitar. Este subentende o cerco a Bagdá e a penetração das tropas na cidade. A cidade não é o deserto e as condições do conflito se modificam. O temor de um grande número de baixas lembra Stalingrado. Com o aumento das atrocidades, das restrições e das deturpações na divulgação dos fatos, além dos massacre dos civis, a democracia é a principal vítima. Os EUA são o modelo de civilização e cultura mais consumidos em todo o mundo. O que eles fazem ou deixam de fazer influenciam diretamente a humanidade. Na era Bush, a manipulação da opinião pública e o espaço para as trevas estão garantidos. P.S. Ao encerramento da coluna, uma grande explosão. Míssil balístico de incomensurável poder destrutivo enviado do eixo SP-Brasília explodia na cidade. Fernandinho Beira-Mar. É a ira de Deus e Alá juntas e voltadas contra nós. (*) É MÉDICO

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