Opinião
A guerra e n�s
O governo federal, através de seus principais próceres ? o ministro da Fazenda e o próprio presidente da República ? tem feito um esforço hercúleo para tranqüilizar o País, minimizando os riscos de danos à economia brasileira em função da guerra do Iraque. Mas, do ponto de vista das análises frias da economia política em tempos de globalização, os efeitos de longo prazo da guerra na frágil economia brasileira não se anunciam como dos melhores. Apenas para se ter uma idéia, os investimentos externos no país (cuja vitalidade da economia está assentada na manutenção dos fluxos internacionais de capital) sofreu dura queda neste mês de março. Segundo estimativas do Banco Central (BC), os investimentos estrangeiros mal chegarão a US$ 400 milhões, quando a previsão era de que se situassem em torno de algo próximo a US$ 1,3 bilhão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu, em discurso proferido nesta semana, encaminhar, ao Congresso Nacional, no mês de abril as reformas tributária e previdenciária. Essas propostas viraram projetos ainda no governo passado, mas não foram adiante. Hoje, parecem ser os únicos pontos da agenda que o governo tem para tirar o país do buraco. As duas reformas são importantíssimas, porém, o País precisa mais que isso. Precisa de ações imediatas voltadas para todos os prazos (curto, médio e longo). O Brasil não pode continuar patinando num crescimento sofrível do Produto Interno Bruto (PIB), da ordem de 1,52%, incapaz de atender as nossas necessidades de desenvolvimento. Voltando à guerra dos Estados Unidos contra o Iraque, é muita temeridade apostar num único cenário: uma vitória rápida americana (ainda que muito provável). É preciso encarar cenários mais difíceis. Mesmo se a ocupação do Iraque acontecer da forma como os americanos planejaram, o céu global não será de brigadeiro. Nuvens carregadas prometem mais sombras. Uma economia pouco dinâmica como a brasileira é muito sensível a choques externos. São urgentes medidas que diminuam a vulnerabilidade do País, ou perdermos o que resta de paz.