Opinião
200 anos de bem-querer!
O patrimônio é como um bem que adquire valor sentimental e referências de um bem-querer. De uma forma de dizer que quero você por perto e quero que você nunca morra! Que seja imortal! E é desse jeito, através da sua importância histórica ou estética que esses bens vão se consolidando ao longo do tempo em nossas vidas e em nossa memória. Quero imortal o registro de minha história, quero imortal a história bicentenária de Alagoas. E temos tantas histórias para contar! E começo lembrando que muitos de nossos bens são maiores que o tamanho do nosso Estado! Faço menção às três cidades tombadas nacionalmente pelo Instituto do Patrimônio Artístico Nacional, o Iphan: Penedo, Piranhas e Marechal Deodoro. A importância delas transcende as fronteiras estaduais se espalhando pelo País. Todas dotadas de bens patrimoniais arquitetônicos encantadores! Mesmo sendo, territorialmente, a segunda menor unidade da federação, Alagoas se destaca como um dos estados mais ricos culturalmente, resultante da mistura de raças: o europeu, o negro e o índio. E dessa mistura, a valentia negra se elevou tanto que este ano a Serra da Barriga, reduto quilombola de Zumbi, tornou-se através do Mercosul, Patrimônio Cultural da América Latina. E assim, mais uma vez, o patrimônio alagoano não cabe em si, e se agiganta no continente. Aliás, ninguém melhor para falar sobre a Serra da Barriga do que o cineasta alagoano Cacá Diegues, que filmou Ganga Zumba e Quilombo, reconhecido no mundo inteiro com filmes premiados em festivais internacionais. E de nossa herança musical maior que é engrandecida nas composições de Djavan, aclamado como grande nome da Música Popular Brasileira, sendo cantado e consagrado mundialmente. Imagine um dicionário escrito por um alagoano, Aurélio Buarque de Holanda, que é usado até os dias atuais pelo Brasil inteiro! Um bem deixado por Alagoas para os brasileiros, que de tão importante ferramenta de aprendizagem, o tal dicionário ganhou o apelido carinhoso de ?Aurélio?. E Graciliano Ramos, romancista e cronista brasileiro do século XX, premiado e traduzido em mais de 50 países! Patrimônio literário sem igual! Não podemos esquecer de um dos maiores bens paisagísticos do País, o Rio São Francisco. E indo mais além, o que dizer de um povo que se expressa com 30 tipos de manifestações folclóricas? Cada vez mais que escrevo percebo ser impossível retratar com fidelidade tanta benquerença que nosso Estado tem produzido e mantido durante tantos anos. Tudo isso são bens para guardamos e preservamos. Seja material ou imaterial, o bicentenário do nosso Estado abraça todas as formas de patrimônio e mostra que os 200 anos de história alagoana é um momento de agradecimento por este legado ser verdadeiramente um grande presente! Parabéns ao aniversariante!