Opinião
Mártires do Brasil e a intolerância religiosa
No próximo dia 15 os protomártires do Brasil serão canonizados pelo Papa em celebração no Vaticano. São eles André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro, ambos sacerdotes, o leigo Mateus Moreira, além de outros 27 companheiros, mortos no ano de 1645 no Rio Grande do Norte. É interessante notar que o massacre faz parte da história do nosso País e ainda há tantos que não conhecem esse fato. Os assassinatos ocorreram por um único motivo: ódio à fé. Em 16 de julho daquele ano, Padre André e outros 70 fiéis foram cruelmente mortos por mais de 200 soldados holandeses e índios potiguares em uma missa dominical. Por serem católicos, a chacina aconteceu por causa da intolerância religiosa dos calvinistas. Pouco tempo depois, no dia 3 de outubro, mais sangue veio a ser jorrado. Desta vez 80 pessoas foram mortas por holandeses e uma daquelas era o camponês Mateus Moreira, que teve o coração arrancado pelas costas, enquanto repetia a frase ?Louvado seja o Santíssimo Sacramento?. A canonização nos proporciona alegria por sermos cônscios do reconhecimento da Igreja àqueles que deram a sua vida para a implantação do Evangelho na Terra de Santa Cruz. Contudo, torna-se também propício para refletir sobre a temática da intolerância religiosa. Na época das invasões holandesas em nosso país, chacinas como essas aconteceram como tentativa de extinguir a religião católica que se espalhava através dos missionários em seu contato com os indígenas. Séculos se passaram e atualmente diversos cristãos têm sido assassinados no Oriente Médio, gerando mais mártires que nos primeiros anos do cristianismo na época da perseguição religiosa por parte do império romano. Até quando pessoas serão mortas por conta da sua fé? Diante de tantas intolerâncias, por que a religiosa persiste mesmo com o passar dos anos? Perseguição, intolerância e morte parecem ser palavras que têm sido ligadas entre si, mesmo diante da proclamação de tanta ?liberdade? pela sociedade. A canonização dos protomártires faz-nos analisar a história do nosso País e a nossa experiência de fé. Aqui, um dia, se matou por conta da crença; do jeito que a intolerância religiosa tem crescido no Brasil, fatos do passado poderão ser repetidos. E parece que não falta muito para isso.