Opinião
Constatando transformações
Viajo com relativa frequência. Gosto da efervescência das grandes cidades! Deixei de dizer, há anos, que descansava mais em Nova York, Paris ou Tóquio, pois irritava meus pais, que curtiam a bucólica atmosfera de nossa Fazenda Lagoa do Peri-Peri. Minha mãe preparou confortáveis instalações para nos ter, com mais frequência, juntos. Meu inesquecível Cícero e os meus filhos, Sérgio e Ricardo, desfrutavam o clima rural. Eu amava a harmonia familiar, sobretudo, quando estavam meus irmãos e sobrinhos. Entretanto, depois de dois ou três dias, sentia falta do contexto urbano. Apaixonados por viagens, meu marido e eu, muito cedo decidimos conhecer o mundo. Trabalhávamos, bastante, mas a motivação turística muito nos estimulava. Sentiamo-nos seguros na Europa e nos Estados Unidos, destinos que sempre repetíamos com muito entusiasmo. Andávamos descontraídos em Paris, Londres, Madri, Barcelona e muitas outras metrópoles. Sempre atentos ao metrô e possíveis descuidistas, em alguns lugares mais vulneráveis, com aglomeração. Cada vez mais, constato, nas grandes cidades, o metamorfismo dos hábitos, motivado pelo contexto social, alterando as paisagens urbanas. Atualmente, o foco é a prevenção do terrorismo. Encontramos soldados armados nos aeroportos, pontos turísticos, lojas etc. A beleza e os encantos das cidades mantiveram-se ou ampliaram-se. Mas, infelizmente, o policiamento aparente já não nos transmite a mesma tranquilidade de outrora. Em maio, assisti ao magnífico espetáculo de André Rieu na República Tcheca. Eram milhares de pessoas, ordeiramente sentadas, o que passavam a sensação de segurança e paz. Não vi policiamento ostensivo. Também, no mesmo mês, na Ópera de Viena, lotada, assisti à encantadora apresentação de Plácido Domingo. A atmosfera pacífica foi a mesma. Agora, em setembro, Paris apresentava-se fascinante, com céu azul e excelente temperatura. Ruas e lojas lotadas. Os pontos turísticos e os estabelecimentos comerciais estavam, visivelmente, policiados. Após os episódios dos atropelamentos assassinos, cercas, blocos de concreto ou catracas, altamente vigiadas, aparam os mais visitados monumentos. Fotografei o aparato de segurança da Torre Eiffel. Em apenas quatro meses, o controle de acesso aos turistas ampliou-se. O mundo está ameaçado pela falta de diálogo, tolerância, respeito e solidariedade entre os homens. Já disse o genial Albert Einstein, cuja casa, atualmente museu, em Berna, na Suíça, tive o prazer de visitar: ?A paz não pode ser mantida à força. Somente pode ser atingida pelo entendimento?. Aspiro entendimento entre os homens; anseio pela paz, apesar de continuar constatando transformações.