Opinião
Apelo em favor da paz
A Campanha Internacional pela Abolição das Armas Nucleares (Ican) foi a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2017. Com base na Suíça, a Ican trabalha com mais de 460 ONGs em 101 países. Tudo isso com um orçamento de apenas US$ 1 milhão, com base em doações particulares e de governos da Escandinávia e da União Europeia, além do Vaticano. A escolha da Ican não é aleatória, uma vez que o risco de uma guerra nuclear está outra vez na agenda internacional. Atualmente, o mundo acompanha as tensões nucleares entre Estados Unidos e Coreia do Norte. O mais grave é que, mesmo durante a Guerra Fria, havia comunicação entre os vários poderes mundiais e atualmente não há diplomacia entre os americanos e os norte-coreanos, ambos com líderes inexperientes e voluntariosos. A entidade se transformou em força motriz na iniciativa humanitária lançada em 2015 para alcançar um acordo a favor do desarmamento nuclear mundial. Esses esforços culminaram em 7 de julho na adoção do primeiro Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, que foi aprovado por 122 países. No processo, no entanto, ficaram fora as nove potências nucleares, incluídos os cinco países com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido). As outras quatro nações com armas nucleares são Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte. Os países que rejeitam o tratado consideram que é preciso promover o Tratado de Não Proliferação Nuclear, sob o qual estão comprometidos a reduzir seus arsenais. O desarmamento por parte das duas maiores potências nucleares parece estar longe de acontecer, e o cenário assusta os especialistas. Como declarou a Ican após o anúncio do prêmio, este é um momento de grande tensão global, em que a retórica agressiva pode facilmente levar a todos, de forma inexorável, ao horror indescritível. O Nobel para a Ican é um grande apelo pela paz, para que o mundo não volte a viver os horrores de uma guerra com o uso de armas nucleares.