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Opinião

Festa e reflexão

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Comemoram-se, hoje, no Brasil, duas datas muito significativas. A primeira é o Dia de Nossa Senhora Aparecida. Há 300 anos, pescadores tiraram das águas do rio Paraíba, em São Paulo, uma pequena imagem de terracota da Virgem Maria que veio nas redes em dois pedaços: primeiro o corpo e em seguida, rio abaixo, a cabeça. Conta-se que os pescadores, que antes não tinham conseguido pescar nada, encheram suas redes com uma quantidade abundante de peixes. A partir daí, a devoção daqueles homens simples, pescadores de uma comunidade paulista provavelmente povoada por portugueses, índios e negros, só fez crescer ao longo dos anos. Em 1930, o papa Pio XII declarou Nossa Senhora Aparecida padroeira do Brasil. O dia de hoje também é dedicado às crianças. A data foi estabelecida em 1924, mas só ganhou prestígio a partir da década de 1960, quando foi ?descoberta? pelas indústrias de brinquedos e de produtos infantis. Desde então, tornou-se uma das principais alavancadores de vendas no comércio. Atualmente o Dia das Crianças é associado principalmente à distribuição de brinquedos. Entretanto, deveria ser também uma oportunidade de reflexão sobre a situação da infância no País. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são aproximadamente 60,5 milhões de brasileiros entre 0 e 19 anos. E, apesar de avanços em ações para a faixa etária, na opinião de especialistas, o Brasil tem muito a evoluir. Dados do Cenário da Infância e da Adolescência no Brasil, destacam que 17,3 milhões de crianças e adolescentes até 14 anos ? 40,2% da população da faixa etária ? vivem em domicílios de baixa renda. Desses, 5,8 milhões (13,5%) em situação de extrema pobreza. O Brasil continua um país muito desigual e as crianças acabam sofrendo as consequências dessa desigualdade. A contradição é que, desde 1990, temos uma das legislações mais avançadas do mundo no que diz respeito à proteção da infância e da adolescência. Infelizmente, muitas dessas medidas ainda não são cumpridas. Enquanto isso, nossas crianças ainda vivem sob a marca da vulnerabilidade.

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