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MP 460

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O depoimento devastador de Antônio Palocci ao juiz Sergio Moro pode complicar muito a vida de Lula. Mesmo que as pesquisas ainda não acusem o golpe, deixou a oposição armada com muita munição para o período eleitoral. Um detalhe interessante, contudo, passou aparentemente desapercebido. Ao citar as diversas negociatas escusas entre PT e Odebrecht, Palocci citou uma história peculiar. Narrou, com tom de espanto, a história de uma tal de MP 460, que teria sido encomendada por Marcelo Odebrecht para sangrar os cofres públicos com perdões tributários. Nas palavras de Palocci, a quantia que seria surrupiada era tão absurda, na casa das dezenas de bilhões, que ele mesmo, o grande articulador das empreiteiras no Governo, teria recomendado o veto. Tudo tem limite, disse ele. Lula vetou. Não recomendo a ninguém que julgue um parlamentar baseado em uma única questão, mas acho que vale a pena relembrar como foi a votação da MP 460. Encaminhada em 2009, ela marca, de certa forma, uma fronteira divisória. Enquanto alguns políticos renomados tiveram vergonha, talvez pena, de ir tão longe, outros tantos, aparentemente, não tiveram. A oposição orientou o voto contra a medida provisória. Se foi por questão ética ou simplesmente porque estavam de fora da farra das empreiteiras, nunca saberemos. Partidos como PPS e PSC, talvez mereçam o benefício da dúvida. Já PSDB e DEM, acredita quem quiser. O PMDB orientou os seus parlamentares a votarem sim. Apesar de alguns poucos peemedebistas terem contrariado, Eduardo Cunha, Eliseu Padilha, Eunício Oliveira, Henrique Eduardo Alves, Rodrigo Rocha Loures e outras figuras em evidência não decepcionaram o partido. Com o PCdoB, PSB e PP ocorreu o mesmo. Votaram não, contra a determinação do partido, apenas Chico Lopes, Mauro Nazif, Beto Mansur e Jair bolsonaro. Ciro Gomes votou sim. Já o PTB, PR, PT, PSOL e PV, orientaram e conseguiram todos os seus parlamentares votando sim. Figurinhas tarimbadas do PT como, Arlindo Chinaglia, Candido Vaccarezza, João Paulo Cunha, Jose Genuíno, José Eduardo Cardoso, Marco Maia e Maria do Rosário marcaram sua presença. Da lista do PSOL constam Luciana Genro e Chico Alencar. Outro que votou sim foi Fernando Gabeira. O presidente da Câmara que conduziu essa votação histórica, marco de uma época pré-Lava Jato, quando os próprios criminosos é que devam os limites a corrupção, foi Michel Temer.

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