Opinião
Saúde, um direito ao alcance da minoria
Quando os poderes na guerra de interesses e extrema vaidade não respeitam a Constituição Brasileira; quando os últimos acontecimentos deixam muito claro maquiavélicas tramas que chamam de ?reforma política?. O legislativo bota boca dura, apequena a corte suprema que se rende à provocação de um magote de suspeitos e investigados desesperados para salvar suas peles, nada mais se pode esperar de ganhos nos direitos fundamentais da sociedade. Benefício de saúde é apenas um detalhe diante das indecências que sufocam a vida sofrida da imensa maioria do povo brasileiro. Assim penso eu, contribuinte de tributos, gerador de empregos através de uma pequena empresa que sente no caixa o peso das obrigações a pagar todos os meses. Impostos, impostos, mais impostos! Não dá para esperar compromisso do governo com educação e saúde, se o próprio só administra compra de votos fantasiada de emenda parlamentar para escapar das gravíssimas acusações de corrupção. Está no Art. 196 da Constituição: ?A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação?. Como o Estado não cumpre o dever constitucional viabilizando médico, remédio e hospital público para quem precisa, principalmente os idosos, é um desejo das famílias ter um plano de saúde. Na verdade, um sonho de consumo cada vez mais distante com o assombroso crescimento do desemprego. Próximo de dois milhões de usuários cancelaram ou perderam seus planos, dados constatados pela ANS ? Agência Nacional de Saúde Suplementar, divulgados recentemente. Quem continua utilizando os serviços demonstra completa insatisfação pela alta de preços das mensalidades e a péssima qualidade oferecida. Principalmente por operadoras não administradas por seguradoras vinculadas a grandes grupos econômicos que só trabalham com planos empresariais, dificultando ainda mais a vida de quem precisa ter um atendimento ágil e qualificado. O plano individual está cada vez mais distante do acesso popular. E tem as bênçãos da ANS por considerar que não é obrigatório a operadora oferecer a opção: ?Essa é uma decisão estratégica de cada empresa. Entretanto, caso a operadora tenha planos individuais com comercialização ativa registrados na ANS, ela não poderá negar a venda aos consumidores?, explica. Imagine um plano de saúde em que o paciente só pode ser atendido no hospital próprio da operadora, exames só no seu laboratório! E o pior, os médicos conveniados se submetem a trabalhar por produção tendo que cumprir uma quantidade mínima de X consultas diárias. Uma consulta considerada boa pode durar três ?intermináveis? minutos. Convenhamos, neste caso o SUS é sua excelência. Se existe em Maceió? E como... Segundo uma pesquisa do Ibope a pedido do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar, 74% dos brasileiros gostariam de ter um plano de saúde, o que para a maioria não passa, infelizmente, de um sonho impossível.