Opinião
Tempo perdido
Não tempos a disposição de todo tempo, mas não temos ?pouco tempo? como dizemos para nós mesmos. Não seria melhor o dia ter mais de vinte e quatro horas. Não seria muito diferente do que é hoje. Continuaríamos pensando que a vida é curta demais para fazer o que queremos e o que precisamos. Tempo sempre foi uma questão pautada em cima de prioridades, quando nos damos conta do fato dele ser finito, ficamos angustiados. Pensamos que todos estão conseguindo aproveitar, menos a gente. As redes sociais fazem questão de nos mostrar isso desde o momento em que acordamos. Tiramos o pé direito da cama vendo o que os outros estão fazendo. Acordar às sete hoje não é mais acordar cedo, afinal, a Pugliesi até as sete horas já fez seu suco verde, sua corrida matinal e nós mal aquecemos a água pro café. Estamos vivendo a vida em automático. Não estamos conseguindo aproveitar o tempo como queremos, mas temos que mostrar o contrário, temos que mostrar que conseguimos conciliar família, estudos, trabalho e saúde. Afinal, quem sabe se eu repetir essa mentira muitas vezes ela não se torna uma verdade também. Ouvir alguém falar ?quero que esse dia, essa mês, esse semestre, esse ano acabe logo? é ouvir ?quero que a vida passe logo?. É um querer ter mais tempo acelerando a hora. Não teremos todo dia o melhor dia de nossas vidas, afinal, não somos todos digital influencers. Mas será que até eles aproveitam de fato cada instante? Olho para o meu perfil do Instagram e penso ?queria muito ter a vida que eu tenho no meu feed?. Eu abro o aplicativo e vejo que todo mundo come muito bem, malha, está namorando, se não está namorando, está lidando perfeitamente com isso. Eu começo a me projetar na vida dessas pessoas e acabo esquecendo que a minha vida está acontecendo. Eu não estou viajando, comendo uma comida fitness, quem dirá malhando. Eu estou no sofá não vivendo a vida deles, nem a minha. Precisamos do celular para checar o e-mail, acompanhar o grupo do trabalho, da escola, da faculdade no Whatapp, dar uma ligada para nossos pais, para os nosso filhos. Mas será que precisamos perder tanta vida com redes sociais? Até que ponto a grama do vizinho realmente mais verde? Ou será que é photoshop puro?