Opinião
Ameaça
Um relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) recomenda que o Brasil incentive o cuidado com a alimentação e mantenha programas governamentais de acesso a alimentos para garantir a segurança alimentar dos brasileiros. O relatório da FAO Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina e no Caribe 2017 indica que o Brasil será capaz de acabar com a fome, que hoje atinge cerca de 3% da população, até 2030. O documento indica que o Brasil só vai alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável de número 2: Fome Zero até 2030, se houver continuidade nos investimentos em políticas públicas voltadas às populações mais vulneráveis. Por isso, é importante manter o nível de investimento social que se tinha. A crise econômica e o rigoroso ajuste fiscal implementado pelo governo Temer, entretanto, são uma ameaça para esses programas. Em 2014, o País saiu do Mapa da Fome, com índice de insegurança alimentar abaixo de 5%. Diversos programas governamentais têm impacto na segurança alimentar dos brasileiros e eles estão distribuídos em várias pastas, como Educação e Saúde, com merenda escolar e campanhas de alimentação saudável e combate à obesidade; Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário e Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com programas de crédito e financiamento para agricultores familiares; Desenvolvimento Social com Bolsa Família e outros programas. Em julho, um relatório elaborado por cerca de 40 entidades da sociedade civil trouxe um alerta quanto ao risco de o País voltar a figurar no Mapa da Fome. Tanto que a campanha Natal sem Fome foi relançada no domingo. Promovida pela ONG Ação da Cidadania e criada em 1993 pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, a campanha tinha sido encerrada há dez anos devido à redução da miséria no País. O Brasil não pode se dar o luxo de retornar à situação anterior. É preciso manter as políticas compensatórias e de distribuição de renda para reduzir o enorme fosso social que ainda existe.