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Aparecida e de Fátima

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Trezentos anos atrás, em 12 de outubro de 1717, uma pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição foi encontrada nas redes que humildes pescadores haviam lançado no Rio Paraíba do Sul, em São Paulo. Estava sem a cabeça, que momentos depois também foi enredada e chegou ao barco, para espanto e alegria daqueles homens que, a partir dali, realizaram a maior pescaria das suas vidas. Como tivesse surgido do nada, inesperadamente, apelidaram-na de Aparecida, Nossa Senhora Aparecida. Enegrecida, provavelmente, pelo tempo em que esteve submersa nas águas, de feições simples que certamente saíram das mãos de um artista do povo, aquela estátua singela da Virgem Maria tornou-se, ao longo dos três últimos séculos, destinatária da veneração sincera de milhões de brasileiros, que todos os dias lotam a sua basílica para pedir e para agradecer. O Santuário Nacional de Aparecida é a síntese-mor da religiosidade do nosso povo, o local de encontro daqueles que têm na Mãe do Céu o seu amparo, o seu refúgio, a sua intercessora fiel e amorosa junto ao Pai. O Brasil se encontra e se reconhece ali, de norte a sul, numa prece uníssona de esperança. Há 100 anos, em Fátima, uma pequena aldeia no interior de Portugal, a Virgem Maria apareceu pela primeira vez a três crianças, três pastorinhos. Era 13 de maio de 1917. Sucederam-se outras aparições, e foram revelados aos videntes segredos e revelações que, com o passar do tempo, mostraram-se acertados, como a queda do comunismo e o atentado contra o Papa João Paulo II. A devoção ao santo rosário tomou conta do mundo, e a imagem de Nossa Senhora de Fátima, com o seu manto alvíssimo e as suas mãos postas em oração, popularizou-se em todos os lares. A sua basílica, imponente, é um belo monumento à fé mariana, mas nada se compara à força que emana da pequena capelinha das aparições, um lugar verdadeiramente abençoado. Nas duas vezes em que lá estive, senti como se o céu tivesse chegado pertinho de mim, eu que desconfio dos meus méritos de um dia chegar até ele. A senhora ?mais bela que o sol? continua espargindo luzes, derramando bênçãos sobre a humanidade e repetindo que Deus nos ama e quer a nossa salvação. Dois séculos distintos, duas datas particulares, dois países separados pelo oceano. Mas a mesma presença amorosa permeando um e outro acontecimento, a mesma Maria de Nazaré vindo ao encontro do seu povo, pondo-se ao seu lado, ouvindo-lhe os rogos, caminhando com ele. Apontando-nos Jesus e dizendo, como nas bodas de Caná: ?Fazei o que Ele vos disser?.

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