Opinião
Delação premiada e segunda instância
Prezados senhores, delação premiada e prisão em segunda instância têm sido úteis para amenizar a aviltante situação da corrupção brasileira? Existem nesses institutos agressões aos direitos humanos? A agressiva, descarada e metastática corrupção nacional têm repercussões na vida da maioria dos brasileiros? Existem outros meios legais disponíveis para se tentar reduzir essa draconiana perversidade? E. Flaiano escreveu em sua obra Diário Noturno que no auge da Roma dos Césares, a corrupção, o vício e a perversão eram tamanhos que dava vontade de fugir da Cidade das Sete Colinas. Ele perguntava e ele mesmo respondia: para onde podemos ir? Não existiam opções. Sete em cada dez moradores de uma das cidades mais bonitas do mundo, o Rio de Janeiro, expressam o seu anseio de fugir da outrora cidade maravilhosa. A se fazer igual averiguação entre as metrópoles brasileiras, poder-se-ia encontrar semelhante sensação de medo, de insegurança e de angústia. A criminalidade crescente nas ruas, os assaltos, os homicídios; a barbárie no trânsito, com número extravagante de vítimas entre mortos e sequelados; a insegurança que não permite que se saia à noite sem uma sensação angustiante de que algo ruim pode ocorrer. Os hospitais e postos de saúde, somando aos problemas da faltas de recursos, agora os assaltos e sequestros de médicos e ambulâncias. Agrava-se a falta de recursos para as universidades públicas. A violência e a péssima situação na qual se encontram os serviços públicos nacionais e outros males devastadores do Brasil, tem, inquestionavelmente, como causa maior a corrupção que sangra os recursos nacionais. A prisão em segunda instância é insubstituível e indubitavelmente, um grande avanço na luta da nossa democracia para sobreviver, na tentativa de que a lei seja aplicada para todos e não apenas para os pobres. Presente nas maiores democracias ocidentais, já na sua primeira instância, tem mostrado a sua eficácia. Da mesma forma a delação premiada tem sido, indiscutivelmente, uma ferramenta poderosa e inalienável, para os avanços da Lava Jato. Estejamos extremamente atentos: urde silente e sorrateiramente em alguns altos escalões da vida pública nacional, e em outros abertamente, a abominável intenção de extinguir tanto a prisão em segunda instância quanto a delação premiada. Essas maléficas e detestáveis conjuras são imensamente antagônicas ao desejo e as aspirações justíssimas da maioria dos brasileiros honestos por um País mais decente e mais digno. Fiquemos todos alertas, os que perseveram por essas tenebrosas trilhas são inimigos do povo brasileiro decente e de sua luta por um futuro mais decente e digno. Eles não enganam mais ninguém.