loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Divaga��es

Ouvir
Compartilhar

MILTON HÊNIO * A ciência nos afirma que no universo físico nada tem o dom da perpetuidade. Tudo muda, tudo se transforma, tanto as estrelas como os homens. Há momentos em que somos tudo e há momentos em que nada somos. Esta é a síntese da grande lição que a vida nos dá. E quando surge a morte, rápida, de repente, sentimos como a vida é fugaz, como a vida é frágil. Vemos todos os dias a dor deixada pela ausência brusca das pessoas que amamos. Deixa-nos um vazio interior. É o que está acontecendo agora com centenas de mães e esposas que estão vendo seus filhos e maridos morrerem bestamente nesta guerra ridícula do Iraque. Há quinze dias, eu e os demais médicos alagoanos sentimos essa tristeza, uma saudade imensa, quando soubemos da morte súbita do nosso estimadíssimo colega e amigo Eduardo Jorge Silva. Só quem vivia o entusiasmo diante dos casos difíceis, buscando nos meandros das imagens radiológicas o seu ambicionado diagnóstico, pode dizer que a radiologia foi o destino do Eduardo, o consolo maior de sua vida profissional. Acredito que se não fosse médico teria sido um excelente diplomata, tal a sua elegância no trato com os colegas e com os seus pacientes. Estudioso, organizado e pesquisador nato, dedicou à Radiologia todos os momentos de sua vida, estimulado pelo carinho dos familiares. Há 40 anos ele e Ivaldo Gatto davam os primeiros passos no progresso da radiologia alagoana, com a proteção e o apoio do professor Ib Gatto, tendo Lourival de Melo Motta como seu grande mestre. Hoje, com 70 anos já completados, não parava, mantendo a chama do seu entusiasmo como se fosse um recém-formado, tanto na Santa Casa de Misericórdia de Maceió como na Diagnose, onde sua permanência diária era imprescindível. Fidalgo, com uma simplicidade cativante, era um dos membros da Academia Alagoana de Medicina. No silêncio da noite, olho a fotografia de nossa Academia no dia da posse, em 31 de janeiro de 1994. Sete já partiram. Como Carlos Drummond de Andrade olhando a fotografia de Itabira, sua terra natal, digo também: ?É apenas uma fotografia, mas como dói?. Meu caro Eduardo, como ontem, hoje e amanhã, jamais lhe faltará o apreço, a saudade e a estima de todos aqueles que lhe quiseram bem como eu. Diz o Eclesiastes: ?Todos nós um dia seremos o passado que começou, para que outros sejam o futuro que continua?. Que você, ao lado do Senhor Jesus, tenha a paz merecida. Guerra ? Quando assistimos pela televisão os horrores que a guerra provoca, o sofrimento do ser humano e as lágrimas derramadas, ficamos meditando sobre a opinião dos grandes pensadores do mundo que dizem ser o homem lobo e cordeiro. Porém, no dia-a-dia, pela observação desse mundo conflitante, chegamos à conclusão que existem mais cordeiros do que lobos, baseados na observação de que milhares e milhares de pessoas vivem subjugadas e dominadas, durante anos, por verdadeiros lobos como Stalin, Hitler e agora Sadam e Bush. Esses lobos não ouvem a ninguém, suas idéias e opiniões têm que ser executadas, seus atos têm que ser admirados. É o que Eric Fromm chama de violência recreativa. Essas personalidades psicopatas encantam-se com a tragédia, querem cada vez mais violência, contanto que a alegria de sua mente seja satisfeita em manter o poder e os seus sonhos de grandeza. É uma pena que existam tantos lobos ainda no mundo, causando tanta tristeza e angústia em tantos cordeiros. Só tem um jeito ? ter fé e esperança, e nas horas de agonia lembrar-se de uma frase que existe em uma canção religiosa muito cantada nas igrejas do Brasil: ?Se as águas do mar da vida quiserem te afogar, segura na mão de Deus e vai?. A razão maior de viver não está apenas dentro de nós, mas no que esperam de nós os desafios da vida. (*) É MÉDICO [email protected]

Relacionadas