Opinião
A arte denúncia num mundo do moralmente correto
Todo mundo tem se perguntado o porquê de a arte estar causando tanta polêmica. No entanto, é necessário entender que a função do artista é relatar, denunciar, discutir e pôr em discussão os temas da atualidade. Acabou o romantismo. O que não entendemos é a debilidade intelectual de críticos, diretores de museus, autoridades, tanta gente bem informada que se cala ou proíbe a apresentação de uma obra. É o caso do Louvre. Eis a manchete da Folha de São Paulo do dia 17 de outubro: ?Proibição do Museu do Louvre a escultura gera polêmica?. Com o título de Domestikator a escultura-habitáculo do artista holandês Joop Van Lieshour é nada mais, nada menos, do que uma casa em forma de cubos, com a aparência de um homem tendo relações sexuais com o cão. Tudo bem, leitor, seria horrível sua família ser surpreendida com tamanha aberração. No entanto, o Canadá, desde junho do ano passado, aprovou a zoofilia, ou seja, a relação bestial do ser humano com animais. Pior ainda, na Alemanha, um casal pede à suprema corte que os autorizem a copularem com seus bichinhos de estimação, porque se sentiam atraídos por eles. Eles procuraram a corte superior de Justiça do país argumentando que as normas existentes, que os proíbem de praticar seus desejos, são inconstitucionais, pois violam seu ?direito à autodeterminação sexual?. A Corte da cidade de Karlsruhe negou. Na internet, blog denuncia um tutor de animais na Dinamarca, que chega a cobrar até 170 dólares por relação com seus animais. O sujeito tem clientes da Alemanha, Noruega, Suécia e Holanda. A crítica de arte não se resume a observações pontuais de exposições. Cabe ao crítico acompanhar os fatos sociais do mundo hodierno, ter percepção para compreender os temas levados a lume pelos artistas e, finalmente, mediar debates esclarecedores sobre as polêmicas geradas. Isto não tem ocorrido. Estas pessoas se encaramujaram e não tratam do óbvio, ao contrário, procuram chifres em cabeça de cavalo. É preciso estudar tais fenômenos em seus contextos, não fora deles, só assim será possível entender o que se passa com o mundo atual. Somos um planeta em ebulição em todas as áreas. É preciso ser cego para não ver a revolução que se passa com a humanidade nos dias de hoje. Não conseguimos ser o futuro que esperávamos.