loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

O matrim�nio

Ouvir
Compartilhar

DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM * Vejo, com particular admiração e estima de pastor, o matrimônio ou aquele amor unitivo de um homem e uma mulher. Quem já não teve a agradável experiência de contemplar um jovem casal na alegria de seus verdes anos de união matrimonial ou de um casal maduro irradiando paz e harmonia, fruto daquela graça sacramental do matrimônio?! É uma obra divina que Jesus aperfeiçoou e dignificou na Nova Lei, diante da qual se repete naturalmente aquela constatação do início da criação: ?E Deus viu que isso era bom!?. Retomando o tema ?Vocação?, hoje me proponho falar sobre o sacramento do matrimônio, que retoma, especifica e aprofunda a graça batismal. Como todos os sacramentos, que ?estão ordenados à santificação dos homens, à edificação do Corpo de Cristo e, enfim, a prestar culto a Deus?, é em si mesmo um ato litúrgico de louvor a Deus em Jesus Cristo. Com efeito, celebrando-o, os cônjuges cristãos professam sua gratidão a Deus pelo dom sublime que lhe foi dado de reviver na sua existência conjugal e familiar o mesmo amor de Deus pelos homens e de Cristo pela Igreja, sua esposa. De início, é oportuno lembrar que o matrimônio se fundamenta na relação mãe-bebê. Sem dúvida, a criança precisa por longo período de tempo da dedicação da mãe: gravidez, aleitamento, proteção no decurso de vários anos. Daí, a palavra matrimônio, que vem de mãe. Por sua vez, o papel do pai aparece mais discretamente e quase entre as sombras. Do ponto de vista biológico, o pai e a mãe têm, cada um, igual porcentagem de responsabilidade. Precisamente, por ter menos carga biológico-educativa, ele está mais livre para se dedicar à procura do sustento familiar. Daí, a origem da palavra patrimônio, com todas as suas implicações socioeconômicas. Mas as relações conjugais entre o homem e a mulher são muito complexas, precisamente porque se baseiam no amor, que é uma realidade extraordinariamente rica, bela e variada. O Concílio Vaticano II afirma: ?A íntima comunhão de vida e de amor conjugal que o Criador fundou e dotou com suas leis é instaurada pelo pacto conjugal, ou seja, o consentimento pessoal e irrevogável. Dessa maneira, o ato humano pelo qual os cônjuges se doam e recebem, mutuamente, se origina também diante da sociedade, uma instituição firmada por uma ordenação divina. No intuito do bem, seja dos esposos como da prole e da sociedade, esse vínculo não depende do arbítrio humano? ( GS 48). Não nos esqueçamos, porém, que ?o autêntico amor conjugal é assumido no amor divino, é guiado e enriquecido pelo poder redentor de Cristo e pela ação salvífica da Igreja para que os esposos sejam conduzidos eficazmente a Deus e ajudados e confortados na sublime missão de pai e mãe?. Isso significa que os esposos cristãos são fortalecidos e consagrados para os deveres e dignidade do seu encargo por um sacramento especial: o matrimônio. A partir dessas considerações, impõe-se uma adequada formação para o sacramento do matrimônio, reafirmando na fé sua natureza, finalidade e exigências e levando em conta as dificuldades e os desafios que a sociedade apresenta no momento atual. Os esposos e a própria família enfrentam uma verdadeira conspiração contra os valores próprios do sacramento do matrimônio. Pastoralmente, nossa arquidiocese espera com urgência atender a esta realidade em seus diversos aspectos. (*) É ARCEBISPO METROPOLITANO DE MACEIÓ

Relacionadas