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Opinião

Destino da ONU

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Enquanto as bombas chovem sobre Bagdá, o mundo aspira pela paz, que a cada dia parece mais longínqua, quiçá inalcançável. As manifestações pacifistas, espalhadas pelo globo, comprovam que a consciência humana não está completamente embotada, mas estão muito aquém do que seria necessário para se chamar a atenção dos senhores da guerra. Em todo esse cenário tétrico, uma discussão tem despertado menos atenção que o merecido. Qual o destino da Organização das Nações Unidas? Antes de completar seus 60 anos, a ONU sofre um de seus maiores reveses. Foi a primeira das vítimas da guerra, alvejada antes de deflagrado o primeiro tiro. As Nações Unidas foram detonadas desde o ultimato conjunto dos Estados Unidos e da Inglaterra contra o acuado Iraque, que havia se refugiado na barra da saia da ONU, deixando-se desnudar e apalpar e desarmar de até uns poucos mísseis que poderiam voar além dos limites estabelecidos. A Organização das Nações Unidas estava conquistando o que a guerra não fará: desarmar, em paz, uma nação que se orgulha de sua tradição guerreira. A ONU começava a dobrar o arrogante Saddam Hussein. Ao chutar a ONU e partir para a agressão, a coligação USA & Inglaterra jogou por terra o que restava de esperança numa entidade internacional que fosse capaz de intervir com alguma autoridade nos conflitos globais. Com sua vasta experiência imperialista, o governo inglês deu o alerta: a ONU deve participar ativamente da ?reconstrução? do que restar do Iraque. Uma proposta discutível, pois sob a bandeira da ?reconstrução? abriga-se uma infinidade de interesses, todos muito grandes, muito claros, todos visando sugar boa parte do petróleo iraquiano. O afoito Bush foi explícito ao discordar. Para o americano, a ONU deve ficar restrita às ?ações humanitárias?. Duas propostas mesquinhas, redutoras do papel das Nações Unidas. Mas, ao menos, lembraram-se da coitada. Seria hora de a ONU responder com uma proposta sua, uma idéia própria. A paz, mesmo agonizante, só ganharia com isso.

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