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Opinião

Efeito em cadeia

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Na última quarta-feira, 25, a Coopertrading, subsidiária da Cooperativa dos Produtores de Açúcar de Alagoas, e mais sete usinas cooperadas conseguiram na Justiça o direito de operar em regime de recuperação judicial. Na prática, trabalhadores, fornecedores de cana (cerca de 7 mil), prestadores de serviço e outros credores que têm valores em atraso a receber das usinas ficarão de mãos vazias por mais algum tempo. A alegação foi total descapitalização e impossibilidade de arcar com débitos estimados em R$ 3 bilhões. As empresas culpam a seca e a política econômica do governo federal nos últimos anos e dizem que a recuperação judicial é a única alternativa para evitar o fechamento das usinas. A notícia caiu como uma bomba sobre o Estado, como mostra reportagem nesta edição da Gazeta. A suspensão dos pagamentos terá um efeito devastador sobre a já frágil economia alagoana. Apesar da queda nas últimas décadas, o setor sucroalcooleiro representa aproximadamente 10% da economia estadual. Será uma reação em cadeia. Os reflexos serão sentidos nos outros setores econômicos, como o comércio, impactando a arrecadação de tributos por parte do Estado. Também haverá a piora dos indicadores sociais, acarretando êxodo rural e aumento da violência urbana, tal como ocorreu na década de 1980, quando houve o fechamento de várias usinas. É certo que o setor foi bastante afetado pelo clima adverso e pelos equívocos da política econômica. Entretanto, isso não exime os empresários da responsabilidade. Historicamente, a agroindústria do açúcar e do álcool, dominada por famílias tradicionais, sempre teve uma relação muito próxima com o poder público e grande influência política, o que lhe garantiu incentivos fiscais e créditos fartos. Para especialistas, a crise atual também é produto de modelos arcaicos de gestão, endividamento e da falta de uma melhor visão de mercado. A recuperação judicial das usinas lança um clima de incerteza e preocupação no Estado, que ainda convive com indicadores sociais degradantes. Além disso, gera uma onda de desconfiança sobre o setor , que pode demorar a se recuperar.

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