Opinião
A nossa guerra
O Brasil quebrou todos os seus recordes históricos e registrou em 2016 o maior número de homicídios em sua história: um total de 61.619 pessoas morreram violentamente no País, de acordo com os dados divulgados ontem pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O número, que contabiliza latrocínios, homicídios e lesões seguidas de morte, representa um crescimento de 3,8% em comparação com 2015. Em média, foram contabilizados 7 assassinatos por hora. Com o crescimento do número de mortes intencionais, a taxa de homicídios no Brasil por 100 mil habitantes ficou em 29,9. Para efeito de comparação, entre 2011 e 2015, a violência no Brasil matou mais pessoas que a Guerra da Síria. A violência aumentou em todo o País, contrariando o cenário anterior que mostrava crescimento apenas nas regiões Norte e Nordeste. E foi nesta última região que o cenário se agravou: Sergipe teve a maior taxa de mortes violentas: 64 por 100.000 habitantes, seguido por Rio Grande do Norte (56,9) e Alagoas (55,9). Os crimes violentos contra mulheres somaram 4,6 mil casos em 2016. O elevado número de mortes no Brasil evidencia o fracasso do País em políticas públicas de segurança. O mais grave é que tudo indica que a situação tende a piorar. Segundo o Anuário, houve queda nos investimentos em segurança pública. Somente o governo federal reduziu os gastos na área em 10%, enquanto nos estados a redução foi de quase 2%. Caso as políticas de prevenção, de segurança e de outros setores da gestão pública não se tornem prioridade na agenda dos governantes, vamos continuar com esses números assustadores por muitos anos ainda. É preciso investir nas polícias e no sistema criminal e rever a política de combate às drogas ? uma das principais causas da violência nas periferias das grandes cidades. Imprescindível também é investir também fortemente em políticas sociais para levar às camadas mais pobres, principalmente os jovens, ações de educação, saúde, cultura, esporte e lazer, caso contrários muito mais vidas continuarão sendo abreviadas.