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Opinião

Academia de Letras de todos os alagoanos

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Outro dia, como ultimamente tenho feito, cheguei bem cedo à sede da Academia Alagoana de Letras, ali na Praça Sinimbu. O casarão ainda parecia adormecido, mesmo com o sol indicando já haver espantado a escuridão da noite anterior, gerando um lindo amanhecer... e eu ali, parado, como se apaixonado pela história não somente do prédio, como de meus antecessores, tentava abrir uma de suas portas quando, claramente, escutei uma voz a desejar ?bom dia?. Confesso inicialmente me haver assustado, até notar ser a própria casa a conversar comigo, esclarecendo toda sua existência e comparando-a a uma folha de amendoeira, acariciada pelo vento e oferecendo sombra a pessoas e animais, embora, em determinados momentos, também flutuando chão abaixo, mas sempre um símbolo de cultura. Ao perguntar se estava lembrada de, no dia primeiro de novembro, completar aniversário, ouvi um sim como resposta, embora deixando claro estar ansiosa pela chegada de 2019, quando celebraria centenário. ?Com cem anos, estarei vivendo um momento especial de renovação, disse-me ela, pois, apesar de madura, continuarei olhando a vida como uma dádiva de Deus, sempre grata, reconhecida, forte e destemida. Às vezes sendo rima, outras verso, mas sempre tendo oportunidade de fazer novos amigos, ajudar mais pessoas, aprender e ensinar novas lições, suportar novos problemas e cada vez mais sair do casulo. Dois anos nada serão para quem já viveu este tempo, quase cinquenta vezes, contudo, naquela data, gostaria de lembrar personalidades, do século passado e também deste, conhecidas, todas, com a sua atual idade. Eram figuras fabulosas, cada uma com suas características. Aos poucos foram me ensinando ser a existência nosso dever de realização: sem notarmos, transcorrem meses, anos e décadas?. Há quem diga serem de sonhos todas as nossas noites e dias. O homem sempre o cultivou, nos vários lugares e épocas, dormindo ou nem tanto. Neste momento, acordei. Aquele ?bate papo? com a ?Casa Jorge de Lima? estava vivo em minha mente, parecendo tão real, quanto a necessidade de que o templo da cultura dos alagoanos continue a interagir com a sociedade, como seus atuais sócios efetivos envidarão esforços para fazê-lo. A Academia Alagoana de Letras, neste primeiro dia de novembro, celebra mais um ano de vida. Quis o destino fosse eu, agora, seu presidente, após suceder a Carlos Mero, intelectual da mais alta estirpe, por sua vez antecedido por figuras imortalizadas tais como: Milton Hênio, Silvio Von Söhsten, Dom Fernando Iorio, Ib Gatto, Carlos Moliterno, José Maria de Melo, Jayme de Altavilla, Mendonça Júnior, Augusto Galvão, Orlando Araújo, Barreto Cardoso, Guedes de Miranda e Moreira e Silva. A Academia de Letras dos Alagoanos é um oásis cultural fantástico, digno da reverência de todos nós, pois sempre estará representada por homens e mulheres cujos alpendres dos corações estarão abertos para tantos quantos ali desejarem chegar.

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