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Opinião

Esforço insuficiente

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Assinado há dois anos por 195 países, o Acordo de Paris, que trata da redução de emissões de gases do efeito estufa, está em risco. Estudo divulgado pela ONU Meio Ambiente afirma que, mesmo se fossem cumpridos todos os compromissos assumidos, isso representaria apenas um terço do que é necessário alcançar até 2030 para que os piores impactos das mudanças climáticas sejam evitados. A principal meta em questão é limitar o aquecimento máximo do planeta a uma temperatura média ?bem abaixo de 2 graus Célsius (°C) acima dos níveis pré-revolução industrial?. No ritmo atual, de acordo com as Nações Unidas, é muito provável que haja aumento da temperatura de pelo menos 3°C até 2100. O cenário pode se tornar ainda mais grave caso os Estados Unidos sustentem a intenção declarada de deixar o Acordo de Paris em 2020. Sem os EUA, segundo maior produtor de gases causadores do efeito estufa, o Acordo de Paris perde grande parte de seu sentido político e prático. Aliás, desde que tomou posse, o presidente Donald Trump vem jogando por terra toda a política ambiental dos últimos governos, principalmente da gestão Obama. Além da questão do acordo, há o esvaziamento da agência ambiental americana, a EPA. Para Trump, o órgão é um desperdício de dinheiro. Para a ONU, é preciso garantir investimentos para a adotação de tecnologias limpas. Outro ponto que o relatório destaca é a necessidade de efetivação de mudanças na matriz energética. Evitar novas usinas a carvão e eliminar as já existentes é uma das recomendações das Nações Unidas nesse sentido. Mesmo que se conteste o catastrofismo de alguns cientistas em relação ao aquecimento global, não se pode simplesmente ignorar as mudanças climáticas, cada vez mais evidentes. A preocupação com a economia e a geração de riqueza não pode se sobrepor ao futuro do planeta. Além disso, parecer haver consenso de que investimento em energia renovável, eficiência energética e medidas de proteção ambiental podem tornar as economias mais competitivas, e não o contrário. Portanto, é uma questão de bom senso.

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