Opinião
Ponte para o futuro
Neste domingo, em todo o Brasil, 6.731.300 de estudantes ? cerca de 115 mil em Alagoas ? estarão fazendo as primeiras provas do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem. Desde 2009, o exame tornou-se a principal porta de entrada no ensino superior público no Brasil e também instrumento importante de aferição da qualidade das escolas de ensino médio. Desde 2005, o número de matrículas em cursos de graduação vem crescendo no País. Na rede pública, o aumento no número de vagas se deveu, principalmente, ao programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). Já na rede de ensino superior particular, o crescimento se deu graças ao surgimento e ao aumento de programas de financiamento subsidiado e bolsas para alunos de baixa renda, como é o caso do Fies e do ProUni. Em termos gerais, o Brasil apresentou significativo aumento dos gastos públicos com educação neste século, compondo atualmente 19% do total dos gastos do governo. Há, entretanto, algumas disparidades. O gasto público por aluno do ensino superior é quatro vezes maior do que o gasto por aluno do ensino fundamental, o que compromete a qualidade da educação. No ano passado, dados do Censo da Educação Superior, divulgado pelo Inep, trouxeram um cenário preocupante. De todos os alunos que ingressaram no ensino superior em 2010, cerca de metade (49%) abandonaram os cursos até o quarto ano, em 2014. Outro sinal amarelo: em 2015, o Brasil teve queda no número de novos alunos, fenômeno que não acontecia desde 2009. A causa foi a redução de estudantes de ingressantes nas instituições particulares, reflexo do corte de verbas para o Fies. É sabido que a educação é essencial para o desenvolvimento do País. Dentre as 30 maiores economias do mundo, as que mais cresceram na década passada são as que mais investiram em seu sistema universitário. O Brasil ainda apresenta problemas estruturais a serem superados, que vão além da simples falta de recursos. Sem superar esses desafios, o País continuará pouco competitivo globalmente.