loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Celibato sacerdotal: o bode expiatório

Ouvir
Compartilhar

Um tema recorrente na mídia é a abolição do celibato como uma solução para a crise de vocações. Olhando para a realidade do Ocidente, especialmente em continentes como a Europa, vê-se a diminuição do número de candidatos à vida consagrada. Além disso, após a década de 60, houve um grande número de sacerdotes que abandonaram o ministério, e outros que se envolveram em escândalos fazendo com que várias pessoas pensassem que os pontos centrais da questão são as medidas disciplinares na Igreja que precisariam ser mudadas. Contudo, seria realmente o celibato o grande vilão? Por trás de tudo isto está uma relação clara com a sobrevalorização do sexo e isto pode ser entendido pelo constante apelo à uma sexualidade irresponsável a que todos nós somos expostos diariamente. Voltemos nosso foco para as 23 igrejas particulares que compõem a Igreja Católica de rito oriental. Nelas o celibato para os sacerdotes é optativo, permitindo assim homens casados serem ordenados padres. Vendo esse exemplo dentro da nossa própria Igreja, constata-se que a questão do celibato facultativo para os clérigos não é uma novidade. Prosseguindo no silogismo, surge a pergunta: existe crise de vocação na Igreja Católica oriental? Sim, existe. Então, a partir dessa experiência milenar e olhando para dentro da nossa própria Igreja, refuta-se a tese que um dos grandes problemas para a quantidade de padres é o celibato no rito ocidental. Então, quais seriam as causas da crise? Sistematizá-las de modo absoluto é impossível, pois depende da realidade sócio, histórico-cultural de cada país. Contudo, é importante ressaltar que em diversos países o número de vocações tem aumentado, principalmente aqueles da África e da América Latina. Neste último continente, de acordo com o Departamento de Vocações e Ministérios do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), por exemplo, o número de padre aumentou mais de 10% nos últimos anos, tendo inclusive um crescimento positivo da quantidade de seminaristas em países como Brasil, Honduras, Peru, Porto Rico e Venezuela. Acredito que vale a pena refletir sobre as iniciativas destes países para que estatísticas como estas possam ser vistas em outros lugares e boas notícias nós vejamos ali num futuro próximo.

Relacionadas