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Opinião

Nossa Estátua da Liberdade agora nos envergonha

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Como se não bastasse a peja de Maceiorkynos, neologismo criado pelo crítico de arte Ricardo Maia, agora a pintura da nossa Estátua da Liberdade nos envergonha. Depois de ter sido fantasiada de tinta verde, numa pseudorrestauração, que fomenta a semelhança com a Estátua de Nova Iorque, a obra que tem encantado e intrigado turistas do mundo inteiro é motivo de chacota nas redes sociais. Sinceramente, durante anos, trabalhei com pinturas especiais, imitação de ouro, bronze, prata e outros metais e sei cada cor do processo de oxidação. No caso do cobre, metal utilizado na estátua americana, é um tom esverdeado fosco sobre uma superfície acinzentada. Esta é a cor vista nas fotografias que serviram de base para criar a presepada de Jaraguá. ?Para quê??, perguntamos. Não havia ninguém para ser consultado, considerando tratar-se de uma peça do patrimônio Cultural de Alagoas? E o Pró-memória? E o Iphan? E o setor de patrimônio do Município de Maceió? E as figuras de referência neste Estado, como Carmen Lúcia Dantas, Adecianny, Josemery Ferrari, o próprio Mario Aloísio, o Sandro Gama, Fernando Lobo, diretor do Misa, onde fica a estátua, e outros? Ouvir opinião nunca é demais, sobretudo quando lidamos com arte. E é bom lembrar que a estátua já havia sido restaurada em 1999, quando da Revitalização de Jaraguá, pela especialista em metais, restauradora Eliane Caetano, de Minas Gerais. Agora nós temos uma estátua que mais parece uma alegoria de escola de samba. Por quê? Por que esse capricho de tratar uma obra de tamanha importância, que traz a assinatura de Frederic Auguste Bartholdi, como um objeto bizarro? Compare o leitor, se de longe não parece ser de plástico, pelo brilho da tinta. Tenho certeza absoluta que esse projeto deplorável de pintura, escandaloso, não era o que o Prefeito desejava. Restaurar seria analisar o metal, prospectar a cor original, soldar ou colar as partes quebradas, conter a ferrugem e repintá-la no mesmo tom centenário que a peça possui. Esta moda não pode ir adiante, pelo amor de Deus. Ao meu entender, salvo melhor juízo, a cor verde da nossa Estátua da Liberdade deveria ser removida. Depois, prospectada a cor antiga e repintada do mesmo tom cinza que a celebrizou nos últimos cem anos que ali esteve ou peregrinou dentro de Maceió. Salvem o nosso patrimônio! Aquela estátua pertence ao povo de Alagoas e se você, leitor, também pensa assim, dê a sua opinião. Queremos a nossa estátua na cor original.

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