Opinião
Pequenos excluídos
A desigualdade social no Brasil é um problema histórico. As principais causas são a falta de acesso à educação de qualidade, política fiscal injusta, baixos salários e dificuldade de acesso a serviços básicos, como saúde, transporte público e saneamento. O resultado disso é a miséria, favelização, desemprego, desnutrição e violência. Essa desigualdade gera impactos em toda a sociedade, e os mais afetados são as crianças, cujas necessidades nem sempre são consideradas no momento da elaboração das políticas. Dados do IBGE ilustram essa realidade cruel: 74% dos domicílios com crianças de até 3 anos estão na faixa de rendimento domiciliar per capita de até um salário mínimo. A situação impacta diretamente o acesso à educação: 75% das crianças com menos de 4 anos não frequentam creche ou escola. Segundo especialistas, crianças pobres aprendem 500 palavras a menos do que as que foram corretamente estimuladas ao longo da vida. Além dos baixos níveis educacionais, a desigualdade e a falta de cuidados na primeira infância contribuem para o aumento de doenças crônicas e o atraso no desenvolvimento das capacidades desses indivíduos. É necessário e urgente priorizar investimentos nesse segmento populacional com vistas à redução da desigualdade. De acordo com estudos, a cada dólar investido em políticas públicas voltadas para crianças na faixa etária até 6 anos, economizam-se US$ 7 em políticas de compensação e de assistência social. Quanto mais precoce o investimento, maior a taxa de retorno que a sociedade terá. Sem investimentos na primeira infância é impossível desenvolver um país, pois a desigualdade começa logo no início da vida. Mas esses investimentos devem ser feitos em políticas integradas, com base na família e na escola, em parceria com grupos da sociedade civil. Também se deve lançar mão do uso de ações com base em tecnologias para a promoção de soluções de baixo custo e em escala. Proteger a infância deve ser uma política de Estado, porque a vulnerabilidade desse segmento vai comprometer o futuro da Nação.