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Engenharia brasileira sob ataque

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Abordei em artigo publicado nesta Gazeta de Alagoas, há algumas semanas, o projeto de desnacionalização posto em prática pelo atual governo federal, que inclui a privatização de setores estratégicos da economia e a entrega de empresas nacionais a grupos estrangeiros. A sanha entreguista adquire aspectos ?legais? quando o governo envia ao Congresso nacional projeto que abre o mercado brasileiro a profissionais e empresas de outros países. Como presidente da Frente Parlamentar Mista de Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional fiz pronunciamento nesta semana, na tribuna da Câmara Federal, sobre o assunto. Na ocasião, li um documento assinado por mais de vinte entidades representativas do setor protestando contra a tentativa de desmonte da engenharia brasileira. Reproduzo o texto aqui para alertar a sociedade de que se não reagirmos, o Brasil retrocederá anos, adquirindo, por assim dizer, traços da época colonial. ?As entidades representativas da engenharia abaixo assinadas vêm a público protestar contra o intento do Governo Federal, anunciado pelo jornal Folha de São Paulo de 16 de outubro último, em enviar ao Congresso Nacional projeto de Lei que abre indiscriminadamente o mercado brasileiro a profissionais e empresas de engenharia estrangeiras. A engenharia brasileira, ao longo das últimas décadas, credenciou-se como uma das mais qualificadas do mundo. Além de contribuir decisivamente para o nosso desenvolvimento, está presente hoje em mais de 40 países, o que, além de gerar empregos e divisas, alavanca a exportação de produtos industriais brasileiros. Não tememos a competição. Não somos xenófobos. Não podemos, entretanto, permanecer silentes diante do sistemático processo de desmonte da nossa engenharia em curso. A pretexto do combate à corrupção de alguns, o que nos une a todos, destrói-se a capacidade gerencial e tecnológica acumulada nas últimas décadas, levando ao fechamento de empresas e à irreparável perda de empregos. Hoje, há mais de 50.000 engenheiros e centenas de milhares de técnicos desempregados. Amanhã, caso se implemente a proposta do Governo Federal, será irreversível o desmonte da engenharia brasileira, com o que não podemos concordar?. O setor está unido contra a atitude do governo federal. Tenho percorrido o País e conversado com técnicos que externam preocupação diante do assunto, mas que não se quedam na imobilidade. Os conselhos regionais, os clubes e os sindicatos, bem como associações de empresas, vêm debatendo alternativas para fazer frente ao projeto que fere os interesses do País. No Congresso, vou intensificar os trabalhos da Frente Parlamentar para impedir que esse governo, que não tem apoio popular, acabe por fazer do Brasil uma terra de ninguém. Vamos continuar lutando.

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