Opinião
Novos muros
No dia 9 de novembro de 1989, começava a ruir o maior símbolo da Guerra Fria, com a queda do grande muro que dividia Berlim, na Alemanha, em duas. A estrutura quilométrica separava o ?mundo capitalista do mundo comunista? e ?compartilhava? a Alemanha entre os vitoriosos da Segunda Guerra Mundial: a parte Ocidental ficou nas mãos dos Estados Unidos, França e Reino Unido; a Oriental, nas mãos da União Soviética. Entretanto, 28 anos depois da divisão, grandes manifestações surgiram em ambas as partes da Alemanha pedido a queda do muro que dividia Berlim. No dia 4 de novembro de 1989, um milhão de pessoas foi às ruas da Berlim Oriental pedindo reformas. Às 23h do dia 9 de novembro, o muro começa a ser derrubado por berlinenses eufóricos com marretas. Do outro lado, na Berlim Ocidental, os berlinenses da então República Democrática Alemã são recebidos com festas, abraços e cerveja gratuita. O acontecimento é considerado o momento-chave do processo que levou ao fim do mundo socialista e à reunificação da Alemanha, que se concretizou em 3 de outubro de 1990. Hoje os poucos pedaços que restam do muro de Berlim tornaram-se símbolo de uma época histórica, e um memorial para recordar as 170 pessoas que foram mortas, na tentativa desesperada de atravessar a fronteira. A experiência vivida em Berlim não impediu, contudo, que, mais tarde, outros muros fossem erguidos em outros países e regiões para impor uma separação, um bloqueio, como acontece hoje na Cisjordânia, na fronteira entre México e Estados Unidos e México e nas Coreias do Norte e do Sul. Os novos muros não são, porém, apenas físicos. Não se pode deixar de falar também nas barreiras invisíveis, que separam pessoas por raça, cor, condição social e outras diferenças. A segregação social é visível nas grandes cidades. Enquanto isso, milhões de pessoas obrigadas a sair de seu país por causa da guerra e da fome, encontram barreiras para se estabelecerem em outras terras. Parece ser mais cômodo e mais fácil construir muros do que pontes.