Opinião
Liberdade de escolha em uma cultura de morte
Fala-se atualmente sobre o direito à eutanásia, baseado na liberdade de decidir. Todos os que são a favor demonstram argumentos como: baixa qualidade de vida para quem já está com estágio de doença avançado; finalização do sofrimento; autonomia do indivíduo para escolher; beneficência feita pelos profissionais da saúde e diminuição de gastos por parte do Estado ou da família, já que tantas pessoas não conseguem custear o tratamento médico dos doentes, entre tantos outros. Pois bem, a legalização da eutanásia implica um risco sócio-político. Como política de saúde, é inaceitável devido à probabilidade ou inevitabilidade da eutanásia involuntária, ou seja, a possibilidade de pessoas serem ?eutanasiadas? sem consentimento. A Holanda liberou esta prática há mais de 20 anos. Existem inúmeros casos em que aconteceu a eutanásia sem pedirem, e os pacientes eram considerados capazes de decidir. Outro ponto é o prognóstico definitivo. A medicina não é uma ciência como a matemática. Tem-se dificuldades em saber com exatidão o tempo que ainda resta de vida do paciente e a possibilidade de um prognóstico médico estar errado conduziria a mortes prematuras e sem sentido. Até a questão da morte cerebral e seus critérios para declará-la é debate entre os profissionais e acadêmicos da saúde. Vejamos também através de uma hierarquia de valores. Quando alguém solicita a eutanásia, hipertrofia o valor da autonomia em detrimento daquele da vida, sobre o qual faz um juízo negativo. Quando um médico mata a pedido, atribui à autonomia um valor supremo, renunciando o primordial que justifica a própria natureza da profissão: salvar vidas. Além disso, quem estaria em grau de decidir? Sabendo que existem pessoas com patologias mentais, como por exemplo, transtorno bipolar ou esquizofrenia, permitir a eutanásia acarretaria em graves consequências a níveis práticos. Continuando o raciocínio, a liberação iria abrandar a investigação científica a procurar cura para as doenças originadoras da dor, já que existiria outra solução mais fácil para isto. Não sejamos seduzidos pela morte nesta época em que Bauman chamou de modernidade líquida. Em situações de doenças graves, muitos de nós podemos querer tomar decisões que à primeira instância parecem ser as mais plausíveis para o sofrimento. Contudo, existem outras saídas que precisam sem apresentadas a quem se encontra assim. Este é um direito que não se deve tolher.