Opinião
Desafio
O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou ontem proposta que define 2018 como o Ano de Valorização e Defesa dos Direitos Humanos da Pessoa Idosa. A denominação é uma referência à adesão do Brasil à Convenção Interamericana sobre a Proteção dos Direitos Humanos dos Idosos. O texto aprovado estabelece que durante o ?Ano de Valorização e Defesa dos Direitos Humanos da Pessoa Idosa? deverão ser realizadas palestras, eventos e outras medidas com o intuito de esclarecer e sensibilizar a população sobre os direitos da pessoa idosa. A proposta prevê a articulação conjunta entre Executivo, Legislativo e Judiciário para incentivar ações de valorização do idoso conforma a competência de cada poder. A preocupação faz todo sentido. Até o final do século passado, o Brasil era conhecido como um país de jovens. Com o aumento da expectativa de vida e a queda na taxa de natalidade, entretanto, esse quadro vem mudando bruscamente ao longo das últimas décadas. Segundo projeção do IBGE, até 2060 a população com 80 anos ou mais deve somar 19 milhões de pessoas. Estamos envelhecendo rapidamente. O País tem, então, o desafio de promover a valorização das pessoas mais velhas e garantir políticas para que elas envelheçam com qualidade. Nesse aspecto, o Brasil está em desvantagem em relação aos países desenvolvidos, que enriqueceram para depois envelhecer. No nosso caso, estamos envelhecendo ainda com pobreza. As projeções de aumento do número de idosos associado à redução das crianças implica mudanças profundas em políticas públicas de saúde, assistência social, Previdência, mobilidade urbana, entre outras. A mudança nas regras de concessão de aposentadoria tem sido um dos principais pontos de discussão. A tese do governo é de que, se não for adiada a aposentadoria dos trabalhadores brasileiros, o sistema previdenciário entrará em colapso e não haverá recursos para honrar os benefícios no médio prazo, pois haverá mais gente aposentada do que trabalhadores na ativa. Na área da saúde, serão necessárias melhorias urgentes nas redes de atendimento hospitalar, ajustando-as a essa nova configuração populacional. Como se costuma dizer, o tempo urge. Se o País não se preparar como deve, não conseguirá garantir uma velhice digna para a maioria de sua população.