Opinião
Paz ameaçada
Na última quinta-feira, 9, Alagoas foi abalado com a notícia do assassinato do vereador por Batalha Adelmo Rodrigues de Melo, conhecido como Neguinho Boiadeiro. Ele foi morto a tiros após deixar a Câmara Municipal. O crime é visto como mais um capítulo da sangrenta rivalidade entre as famílias Boiadeiro e Dantas, que há 18 anos disputam o comando do município. Infelizmente, não é a primeira vez que crimes políticos dominam as manchetes no Estado. Historicamente, Alagoas sempre teve uma imagem associada à violência. Há vários episódios que contribuíram para esse estigma. Como escreveu o historiador Douglas Apratto Tenório, em sua obra A tragédia do populismo ? o impeachment de Muniz Falcão, ?o ódio abrangeu o Estado com seus tentáculos malignos. Velhas rixas municipais se reavivavam e famílias digladiavam entre si, várias delas do mesmo tronco, chegando a episódios de incrível brutalidade em diversas cidades?. Em 1957, a Assembleia Legislativa se transformou numa praça de guerra, por causa da votação do impeachment do então governador, Sebastião Marinho Muniz Falcão. Na tarde do dia 13 de setembro, uma sexta-feira, um grupo de deputados aliados de Muniz entrou no prédio com metralhadoras e disparou a esmo, provocando a reação de deputados oposicionistas que já estavam entrincheirados no local. O intenso tiroteio deixou um deputado morto e vários feridos. Em 1998, outro crime que chocou Alagoas. A deputada federal Ceci Cunha foi assassinada em Maceió, juntamente com dois familiares, poucas horas após ser diplomada para um novo mandato. Quatro anos depois, o médico Talvane Albuquerque, suplente que assumiria a vaga de Ceci, foi condenado pela Justiça como mandante do crime. O episódio de Batalha se constitui num desafio para o governo do Estado e a cúpula da Segurança Pública. É preciso uma resposta rápida e enérgica no sentido de punir os responsáveis pelo assassinato e coibir novos atos de violência, para que a paz volte a reinar no Sertão.